Sininho teria incitado manifestantes a incendiar ônibus e Câmara Municipal do Rio, diz MP

Ativista foi uma das 23 pessoas acusadas de formação de quadrilha pelo Ministério Público do Rio após protestos

Fábio Grellet / RIO, O Estado de S. Paulo

20 de julho de 2014 | 18h47

A ativista Elisa Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, uma das 23 pessoas acusadas de formação de quadrilha pelo Ministério Público do Rio, teria incitado manifestantes a incendiar o prédio da Câmara Municipal do Rio durante protesto em 2013, e a queimar um ônibus em outro ato realizado no ano passado, segundo a denúncia apresentada à Justiça pelo promotor Luís Otávio Lopes na última sexta-feira.

“Durante a ocupação (da Câmara, iniciada em agosto de 2013), Elisa Sanzi foi vista comandando manifestantes no sentido de carregarem três galões de gasolina para a Câmara Municipal, passando a incitar os demais manifestantes a incendiar o prédio, objetivo não alcançado em razão da intervenção de outros participantes dos atos”, escreve o promotor. Segundo ele, a acusação consta do depoimento de uma testemunha, não identificada. 

Elisa também é apontada como uma das oito responsáveis por “incitar os ocupantes do movimento Ocupa Câmara a promoverem a queima de um ônibus, o que foi feito após reunião fechada da Frente (Independente Popular)”. Ainda segundo o promotor, outra das 23 denunciadas, a advogada Eloísa Samy Santiago “inicialmente juntou-se aos demais no exercício de sua atividade, tendo, após, desvirtuado sua conduta e passado a participar ativamente dos atos violentos, inclusive passando instruções aos ocasionais participantes, tendo sido vista ordenando o início de atos de violência. Além disso, escudando-se em um suposto exercício da atividade profissional, presta apoio logístico, inclusive cedendo sua residência para reuniões.”

O denunciado Gabriel da Silva Marinho tinha “a incumbência de atirar coquetéis molotov, que eram fabricados por ele e por sua namorada, Karlayne, vulgo Moa, para uso próprio e também fornecimento a outros integrantes do grupo”. 

Entre os 23 denunciados estão Fábio Raposo Barbosa e Caio Rangel, acusados de atirar o rojão que causou a morte do cinegrafista Santiago Andrade, durante protesto em fevereiro passado. Segundo o promotor, “Barbosa participava das deliberações da Frente Independente Popular”, organização que reuniu 13 entidades para articular os protestos.

Barbosa foi cogitado por Elisa Sanzi para assumir a função de outro membro do grupo, afirma a denúncia. Um adolescente, cujo nome não foi divulgado pelo Ministério Público, “teria afirmado ter a intenção de matar um policial nos protestos contra a Copa”, segundo o promotor. Menor de 18 anos, ele não foi denunciado. 

A denúncia individualiza outras condutas, com base na investigação policial iniciada em 2013. “As escutas telefônicas autorizadas pelo Juízo permitiram acompanhar a preparação de tais atos, notadamente a participação da denunciada Camila Jourdan na elaboração dos artefatos e em sua posterior disponibilização aos black blocs”, afirma o promotor.

Após receber a denúncia, na última sexta-feira, o juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Rio, decretou a prisão preventiva dos 23 acusados por formação de quadrilha. Até a noite de ontem, cinco estavam presos e 18 continuavam foragidos.

O advogado Lucas Sada, que defende a denunciada Joseane Araújo de Freitas, pretende pedir nesta segunda, dia 21, habeas corpus para a cliente. Ele integra o Instituto de Defensores de Direitos Humanos, que deve pedir a liberdade de outros cinco acusados. Os habeas corpus serão direcionados ao desembargador Siro Darlan, da 7ª Câmara Criminal, que na semana passada concedeu liberdade a 17 ativistas presos temporariamente desde o dia 12.

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