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Site de relacionamentos extraconjugais faz propaganda usando o Cristo

Outdoor tem imagem do Cristo ao lado dos dizeres: 'Tenha um caso agora! Arrependa-se depois'

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2011 | 18h15

RIO - O outdoor de um site de relacionamentos, especializado em relações extraconjugais, está provocando polêmica na cidade. A propaganda tem a imagem do Cristo Redentor ao lado dos dizeres: "Tenha um caso agora! Arrependa-se depois". A Arquidiocese encaminhou o assunto para o departamento jurídico e estuda as medidas que tomará.

"A Arquidiocese repudia com veemência essa propaganda com uso do Cristo, cujo direito de imagem pertence à Cúria. Ainda mais num anúncio que prega o adultério", afirmou o porta-voz da Arquidiocese, Adionel Carlos da Cunha.

Padre Omar Raposo, pároco do Santuário Cristo Redentor, disse que a propaganda provocou "indignação". "Ficamos todos perplexos. A Igreja defende uma proposta de valorização da família, do equilíbrio. E esse site aposta no contrário, na relativização da família", afirmou.

A propaganda é do site Ohhtel, que promete ser "o melhor lugar no Brasil para ter um caso discreto". A rede social chegou ao País em julho e já tem 210 mil inscritos. "Acreditávamos que o público do Rio seria menos conservador, mas o que ocorreu é que São Paulo tem maior número de inscritos. Apostamos na publicidade no Rio para triplicar o número de perfis na cidade", afirma a vice-presidente do site no Brasil, Laís Ranna.

 

A escolha do Cristo, explica ela, teve a intenção de "provocar as pessoas". Apesar da reação da Cúria, a empresa não pretende retirar a propaganda, na Barra da Tijuca, zona oeste. "Nós compramos o direito de usar aquela imagem", afirmou.

De acordo com Laís, o site tem enfrentado problemas com publicidade, por ser um "serviço polêmico". "Queremos patrocinar um time de futebol, mas temos encontrado dificuldades", afirmou.

Disputa. Essa não é a primeira polêmica pelo uso da imagem do Cristo sem autorização da Cúria. Há dez dias, o jogador do Botafogo Loco Abreu foi filmado chutando bolas em direção à estátua. Era um comercial para a companhia aérea argentina Pluna. A equipe da agência de publicidade não tinha autorização para filmar no local e teve de se retirar. O próprio presidente da companhia telefonou para a Arquidiocese para se retirar. Loco Abreu, católico, foi perdoado pela Igreja.

Há dois anos, a Arquidiocese encaminhou uma notificação judicial à Columbia Pictures pelo uso da imagem do Cristo no filme "2012", onde a estátua aparece destruída. A Cúria não cobra pelo uso da imagem, mas pode vetá-lo. No caso do filme, houve um acordo.

O caso mais rumoroso de veto ao uso do Cristo ocorreu no Carnaval de 1989, quando a Beija-Flor apresentaria a estátua no enredo Ratos e Urubus, Larguem minha Fantasia. Joãozinho Trinta optou por cobrir a imagem com sacos pretos e uma faixa com os dizeres "mesmo proibido, olhai por nós".

Até mesmo a autoria da estátua - e os direitos de uso de imagem - estão sob disputa. Os herdeiros do escultor francês Paul Landowski alegam que ele é o único responsável pela construção do Cristo e apresentaram documento nesse sentido no Congresso Mundial de Art Decó, realizado no Rio. Bel Noronha, bisneta do engenheiro brasileiro Heitor da Silva Costa, refuta a versão. Diz que o bisavô é responsável pela obra e apenas contratou Landowski para fazer a maquete da estátua. A família brasileira nunca cobrou pelo uso da imagem, que coube à Arquidiocese administrar.

Texto atualizado às 19h17 para acréscimo de informação

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