André Coelho/EFE - 26/02/2022
André Coelho/EFE - 26/02/2022

Sob Ômicron, Rio tem baile fechado, bloco em quadras e minidesfiles

Eventos exigem de participantes a apresentação de passaporte vacinal; apresentação na Cidade do Samba reuniu cerca de 5 mil pessoas

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2022 | 05h00

RIO - O carnaval de 2022 foi oficialmente adiado pela prefeitura do Rio para abril, por causa do novo avanço da covid-19, com retomada nos números de casos e, em ritmo menor, de mortes pela doença desde o fim do ano passado. Os cariocas, porém, não esqueceram a festa. O fim de semana do feriado carnavalesco foi marcado por bailes fechados, festas em quadras de agremiações e blocos clandestinos. Houve até um minidesfile das escolas de samba do Grupo Especial, embora longe da Marquês de Sapucaí.

Em evento organizado pela Liga das Escolas de Samba (Liesa) na Cidade do Samba, seis escolas se apresentaram na noite de sábado. Foi uma prévia do que será o desfile oficial deste ano, transferido para o feriado de Tiradentes. Imperatriz Leopoldinense, São Clemente, Vila Isabel, Salgueiro e Beija-Flor fizeram apresentações no palco, com cerca de 150 integrantes cada. Eram passistas, ritmistas, baianas, mestre-sala e porta-bandeiras e Velhas Guardas. Cantaram seu antigos sucessos, mas também apresentaram os sambas compostos para este ano.

Além das apresentações no palco da Cidade do Samba, as agremiações fizeram pequenos desfiles na pista que circunda a praça central do espaço, voltado à produção de alegorias e fantasias. A pista ganhou um tratamento similar ao recebido pelo Sambódromo, com pintura e iluminação cênicas. Houve até queima de fogos abrindo as apresentações, como também ocorre na Marquês de Sapucaí. Segundo os organizadores, o evento reuniu 5 mil pessoas.

Na noite deste domingo, a partir das 19h, estava prevista a apresentação de Paraíso do Tuiuti, Unidos da Tijuca, Mangueira, Mocidade Independente, Grande Rio e Viradouro – campeã do carnaval de 2020, o último antes do agravamento da pandemia. A apresentação do evento ficou a cargo do carnavalesco e comentarista Milton Cunha.

As quadras das escolas de samba também realizaram eventos fechados – mediante apresentação do passaporte vacinal – neste fim de semana. O CarnaPortela vai até amanhã, com atrações como a cantora Alcione. No Salgueiro, vários blocos se apresentam no CarnaSal. Anteontem, a Mangueira fez um evento no Palácio do Samba, acompanhado do bloco Céu na Terra.

Os bailes fechados, que também estão autorizados mediante apresentação do passaporte vacinal, foram outra alternativa para os blocos que não puderam se apresentar nas ruas. Só o Cordão da Bola Preta, um dos mais tradicionais blocos do Carnaval do Rio, tem 13 apresentações previstas. Neste domingo foram duas: no Baile de Carnaval do Clube do Samba, no Vivo Rio, e no CarnaPortela, na quadra da Portela, em Madureira.

Mesmo assim, a Secretaria de Ordem Pública (Seop) registrou pelo menos três blocos não oficiais, desmobilizados por agentes da Guarda Municipal no sábado, no Centro do Rio. Segundo a assessoria do órgão, a dispersão tem sido feita à base de conscientização e diálogo, evitando qualquer tipo de conflito ou repressão. Em algumas situações o bloco até se reúne em outros locais após a dispersão e é necessária uma nova intervenção, mas sem uso da força. 

Em outros Estados, alguns blocos tentaram sair às ruas, mesmo como forma de protesto e com eventos temáticos proibidos. Um grupo assim se reuniu na Asa Norte, em Brasília, na noite de sexta-feira, 25. Em Belo Horizonte, agremiações sem apoio financeiro saíram pela zona leste e pelo centro. Em Olinda, bares foram fechados e foliões levados à delegacia. 

Parte dos Estados e municípios, sobretudo no Nordeste, decidiu cancelar o ponto facultativo dos servidores públicos neste período. Mas São Paulo e Rio (que tem feriado oficial na terça-feira de carnaval) mantiveram. Em pontos facultativos, cabe ao empregador definir se haverá ou não trabalho.

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