EFE/ Marcelo Sayão
EFE/ Marcelo Sayão

Sobe para 15 o número mortos em ação da PM no Morro do Fallet

Após suposto confronto que terminou com 13 mortos, moradores acharam mais dois corpos baleados na mata

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2019 | 23h29

SÃO PAULO - Subiu para 15 o número de mortos em ações da Polícia Militar em morros do Rio. A operação do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais, tropas de elite da PM, havia deixado 13 mortos no Morro do Fallet, no Rio Comprido, região central, na última sexta-feira, 8. Moradores da comunidade, no entanto, encontraram mais dois corpos no domingo, 10. 

A ação da PM também se estendeu por comunidades vizinhas, como Coroa e Fogueteiro, no mesmo bairro, e também ao Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. A Defensoria Pública do Rio vai acompanhar e dar assistência às famílias dos mortos no Fallet.

A mãe de uma das vítimas, Tatiana Antunes de Carvalho, foi ao Ministério Público do Rio e pediu ajuda. Segundo ela, os rapazes foram executados e não houve troca de tiros. O filho dela, Felipe Guilherme Antunes, de 21 anos, teria morrido a golpes de faca, sem levar nenhum tiro.

"Eles mataram todo mundo. Barbarizaram a comunidade à toa, à toa. Eles são assassinos. Não foi só o meu filho, não. Eu preciso de Justiça, meu Deus. Eles mataram meu filho de faca. Eles são covardes", afirmou Tatiana, que também é tia de Enzo Carvalho, outra vítima da ação policial.

"Eles (os policiais) não pegaram o menino com nada. Não importa o que eles eram. Eles tinham que prender. Meu filho não tinha um tiro. Não teve trocação de tiro nenhuma. Meu filho morreu a facada. Quebraram o crânio dele, quebraram o pescoço do meu filho", afirmou Tatiana, segurando o atestado de óbito de Antunes. "Eles não têm direito de chegar na comunidade e fazer o que eles fizeram. Eles não tinham mandado nenhum para sair matando. Eu vou até o final. Não vou me calar."

Ação

Após uma informação recebida pelo Disque-Denúncia de que vários criminosos estavam escondidos em uma casa na Rua Eliseu Visconti, no Morro do Fallet, policiais do Batalhão de Choque cercaram a residência e invadiram o local. Na casa, estavam 20 jovens, alguns deles menores de idade. Segundo a PM, 13 foram mortos no confronto e alguns conseguiram escapar.

Os corpos das vítimas foram levados em um carro aberto do Batalhão de Choque para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro da cidade. Os médicos de plantão disseram que os jovens já chegaram sem vida ao hospital. Dois foram levados feridos e operados na unidade de saúde e permanecem internados.

Em nota, a PM informou que os jovens que estavam na casa "reagiram à voz de prisão" e atiraram contra os militares. "No confronto, 13 bandidos ficaram feridos e foram levados para o Hospital Municipal Souza Aguiar, na região central da cidade”, diz o texto. 

"Desde a madrugada, as equipes policiais atuam nas comunidades devido a tiroteios na região, provocados por disputa entre grupos criminosos. A partir de denúncias e informações do Setor de Inteligência, foi feita uma varredura em alguns pontos da comunidade do Fallet, nesta manhã. Policiais do Choque foram recebidos a tiros e houve confronto. Após cessarem os disparos, dez criminosos feridos foram encontrados em vias da comunidade e foram socorridos para o Hospital Municipal Souza Aguiar", informou a assessoria da PM.

Em Santa Teresa, no Morro dos Prazeres, a PM informou que policiais do Bope apreenderam duas pistolas automáticas, dois rádios comunicadores e um aparelho telefônico após confronto com criminosos. Duas pessoas encontradas feridas foram levadas pela PM também para o Hospital Souza Aguiar.

No domingo, moradores encontraram mais dois corpos na mata: Matheus Lima Diniz, de 22 anos, e Michel da Conceição de Souza, de 20, mortos a tiros. Eles disseram que os dois rapazes foram presos na sexta-feira e estavam desaparecidos.

Defensoria Pública

Nesta terça-feira, 12, representantes da Defensoria Pública vão participar de encontro, na Associação de Moradores do Fallet, com parentes das vítimas e testemunhas da ação da PM para tomar conhecimento de todos os detalhes das mortes na comunidade e avaliar as medidas de assistência que serão tomadas.

O ouvidor-geral da Defensoria Pública, Pedro Strozenberg, disse que, por enquanto, as informações não são conclusivas. “Na casa estariam 20 rapazes, sendo que nove morreram e 11 conseguiram fugir, mas foram pegos depois do lado de fora", afirmou. "A polícia diz que houve troca de tiros, e os criminosos reagiram e ocorreram as mortes. Nós vamos lá tomar conhecimento se seria evitável esse número de mortos"./COM AGÊNCIA BRASIL

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