Claudineia/Facebook
Claudineia/Facebook

Suposto traficante acusado pela morte do bebê Arthur é denunciado por aborto

Segundo a promotoria, Romário Conceição da Silva pretendia atacar policiais militares, mas assumiu o risco de ferir outras pessoas.

O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2017 | 00h30

RIO - Um suposto traficante acusado de disparar o tiro que atingiu por engano a gestante Claudineia dos Santos Melo, grávida de nove meses, na Favela do Lixão, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense), em 30 de junho, foi denunciado nesta quarta-feira, 4, pelo Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ), pelo crime de aborto provocado por terceiro sem o consentimento da gestante, por dolo eventual.

A bala feriu o feto, obrigou Claudineia a fazer um parto de emergência e o bebê Arthur acabou morrendo depois de passar um mês internado em um hospital de Duque de Caxias. A denúncia foi apresentada pela 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal da 3ª Central de Inquéritos e recebida pela 4ª Vara Criminal de Duque de Caxias. 

Segundo a acusação, Romário Conceição da Silva, vulgo Pirulito, foi responsável pelo disparo que atingiu a gestante. Ele pretendia atacar policiais militares, mas assumiu o risco de ferir outras pessoas. Como desejava atingir os policiais, Pirulito também foi denunciado por tentativa de homicídio contra os PMs.

Um comparsa dele - Charles Jackson Neres Batista, conhecido como Charlinho do Lixão e apontado como líder da facção criminosa que domina o tráfico de drogas na favela, é acusado de ter dado a ordem aos subordinados para que atirassem contra os policiais que faziam ronda na região. Por isso, Charlinho também foi denunciado por tentativa de homicídio contra os PMs. Charlinho e Pirulito também foram denunciados por corrupção de menores, por arregimentar adolescentes para o tráfico.

Arthur

 A gestante Claudineia saía de uma farmárcia e iria ao encontro do marido quando foi atingida pela bala perdida. Socorrida por PMs, foi levada ao Hospital Moacyr do Carmo e submetida a uma cesariana de emergência. O bebê havia sido atingido nos pulmões, e foi logo transferido para o Hospital Adão Pereira Nunes, devido à gravidade do seu quadro clínico. Arthur morreu um mês após o nascimento.

A troca de tiros ocorreu no dia 30 de junho, por volta das 17h30, na Rua Frei Fidélis, na comunidade do Lixão, quando policiais do 15º Batalhão realizavam patrulhamento, trafegando em duas viaturas. Na ocasião, três adolescentes foram apreendidos, um deles com drogas e outro com um radiocomunicador.

Em simulação promovida pela Polícia Civil, ficou constatado que a vítima estava próxima dos carros da PM e no campo de visão de Romário, que, ao efetuar os disparos, assumiu o risco de matar, segundo a denúncia. Ele estava junto com um adolescente infrator de 15 anos e um homem não identificado. Também foi apurado que os policiais militares não chegaram a efetuar disparos.

Em conversas telefônicas autorizadas pela Justiça, a investigação identificou diálogos entre o adolescente e o chefe da quadrilha dando detalhes dos tiros disparados contra os policiais naquele local e a participação de Romário.

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