Suspeita de duas mortes, advogada Ieda Martins vai para Bangu

Ela é investigada pela suposta participação no assassinato do ex-marido, no Rio, em 2005, e de um zelador, neste ano, em São Paulo

O Estado de S. Paulo

17 de julho de 2014 | 21h44

RIO - A advogada Ieda Martins, suspeita de envolvimento na morte do zelador Jedi de Souza, em São Paulo, e de participação no assassinato do ex-marido, no Rio, em 2005, foi levada nesta quinta-feira, 17, para o presídio de Bangu, na zona oeste da capital fluminense, depois de ser submetida a uma acareação com a mãe na 36.ª DP, em Santa Cruz, também na oeste.

As duas foram ouvidas pelo delegado Geraldo Estefan, que afirmou ter “convicção” da participação da advogada no assassinato do ex-marido, o empresário José Jair Martins, em 2005. A investigação foi retomada depois que a advogada e o atual marido, o publicitário Eduardo Martins, foram acusados em São Paulo de matar o zelador Jedi de Souza, em maio.

Foi encontrado na residência do casal o cabo de uma arma que seria a mesma do crime de 2005. Ieda saiu da delegacia algemada e em silêncio. Quando perguntada sobre as acusações, ela apenas balançou a cabeça para os lados.

A advogada chegou de São Paulo na quarta-feira e passou a noite da carceragem da 36.ª DP. Por duas horas, ficou frente a frente com a mãe, Sebastiana. “Como mãe, vou falar o quê? Não vi nada, não sei de nada”, disse ela ao deixar a delegacia. De acordo com o delegado, a acareação foi pedida pelo Ministério Público porque Sebastiana havia prestado dois depoimentos divergentes: no primeiro, relatou comportamento negativo da filha, depois negou. “Agora, ela (Sebastiana) não disse muita coisa, mas também não fez carga negativa.”

Tortura. O filho de Ieda, José Jair Júnior, de 18 anos, também foi à delegacia para ser ouvido no inquérito que apura supostas torturas cometidas pela advogada contra ele. “A mãe o torturava com uma colher quente na boca quando ele tinha 9 anos, para que não fizesse contato com o pai. Tortura é um crime abjeto que não prescreve”, afirmou o advogado do filho, Wallace Martins.

O pai dele, que era dono de uma fábrica de postes, foi assassinado com dois tiros. “O que motivou o homicídio foi o motor home da família. Nossa luta agora é para converter a prisão temporária (que tem prazo de cinco dias) em provisória e conseguir que ela seja denunciada pelo Ministério Público”, afirmou

Martins. A avó negou que Ieda tenha torturado o filho. “Isso é mentira. Ela foi uma boa mãe.” Filho e mãe não se encontraram na delegacia. “A versão dela (Ieda) é a mesma: não participou de nenhum homicídio, é inocente”, afirmou o advogado da suspeita, Marcelo Muccio. Ele disse que pediu, em São Paulo, uma nova perícia da arma que teria sido usada no crime de 2005. 

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