WILTON JUNIOR/ESTADãO
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Temer manda Jungmann ao Rio para acompanhar investigação de morte de Marielle

'Queremos solucionar o caso no menor prazo possível', diz presidente em rede social; milhares vão ao velório na Câmara

O Estado de S.Paulo

15 Março 2018 | 11h59

BRASÍLIA - Em uma reunião de emergência convocada na manhã desta quarta-feira, 15, para discutir a questão da segurança no Rio de Janeiro, após o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), o presidente Michel Temer disse que determinou que o ministro da Segurança, Raul Jungmann, vá ao Rio acompanhar pessoalmente as investigações, "que queremos solucionar no menor prazo possível". Temer afirmou que o assassinato da vereadora e de seu motorista Anderson Gomes "é inaceitável, inadmissível, como todos os demais assassinatos que ocorreram no Rio". A fala do presidente foi divulgada há pouco nas redes sociais.

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Temer defendeu a intervenção federal feita no Rio de Janeiro, que completa um mês amanhã, e afirmou que a medida foi decretada "para acabar com banditismo desenfreado que se instalou por conta das organizações criminosas". "Estamos ali no Rio para restabelecer a paz, para restabelecer a tranquilidade", disse.

Segundo o presidente, o assassinato de vereadora e de seu motorista "é um verdadeiro atentado ao estado de direito e um atentado à democracia". "Trata-se de um assassinato de uma representante popular, que ao que sei fazia manifestações e trabalhos com vistas a preservar a paz e tranquilidade na cidade do Rio de Janeiro", completou.

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Temer se solidarizou com as famílias da vereadora e do motorista e afirmou que as "quadrilhas organizadas não matarão o nosso futuro". "Não destruirão nosso futuro, nós destruiremos o banditismo antes", afirmou.

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Participam da reunião, no Palácio do Planalto, Eliseu Padilha, ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República; Moreira Franco, ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República; Sérgio Etchegoyen, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República; e o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, secretário executivo do ministério extraordinário da Segurança Pública.

Em sua conta pessoal na rede de microblog Twitter, o presidente já havia lamentado a morte de Marielle e disse que o crime não ficará impune. "Lamento esse ato de extrema covardia contra a vereadora Marielle Franco. Solidarizo-me com familiares e amigos, e acompanho a apuração dos fatos para a punição dos autores desse crime." E continuou: "Pedi ao ministro @Raul_Jungmann para colocar a @policiafederal à disposição para auxiliar o interventor do Estado do Rio de Janeiro, general Walter Braga Netto, na investigação. Esse crime não ficará impune".

Crime

A vereadora, de 38 anos, que era filiada ao PSOL, foi morta a tiros na noite de ontem dentro do carro em que seguia para casa. O ataque à Marielle ocorreu na Rua Joaquim Palhares, no centro do Rio. Ela volta de um evento na Lapa, na mesma região, quando foi atingida. O motorista que dirigia o carro também morreu baleado.

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) disse na noite desta quarta-feira, 14, que o crime tem "características nítidas" de execução. Segundo o deputado, porém, nem parentes nem amigos tinham informações de que Marielle estivesse sofrendo ameaças. 

"As características são muito nítidas de execução. Queremos isso apurado o mais rápido possível", disse Freixo ainda no local do crime na noite desta quarta-feira, 14. "É completamente inadmissível. Uma pessoa cheia de vida, cheia de gás, uma pessoa fundamental para o Rio de Janeiro, brutalmente assassinada. É um crime contra a democracia, contra todos nós, não podemos deixar que isso se naturalize", disse Freixo.

Milhares de pessoas estão nos arredores do Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara Municipal do Rio, na Cinelândia, para acompanhar o velório da Marielle. O clima é de comoção. Entidades ligadas aos direitos humanos, principalmente das mulheres e dos negros, espalham cartazem em homenagem à vereadora, atuante nessas áreas. 

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