Wilton Junior/Estadão
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Witzel manda apurar se PMs tentaram invadir hospital para pegar bala que matou Ágatha

Governador do Rio comentou reportagem que denunciou ida de agentes ao hospital. Intuito seria resgatar a munição que causou a morte. 'Minha posição é firme: tudo será apurado com rigor', disse Witzel

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2019 | 17h32
Atualizado 03 de outubro de 2019 | 20h43

RIO - O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), afirmou pelo Twitter que vai apurar “com rigor” a denúncia de que um grupo de policiais militares invadiu o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, zona norte do Rio, um dia após a morte da estudante Ághata Félixpara exigir dos funcionários a entrega da bala que matou a menina no Complexo do Alemão.

A informação foi divulgada nesta quinta-feira, 3, pelo site da revista Veja, e até as 17h20 nem a Polícia Civil nem a Militar haviam se pronunciado sobre a denúncia. Conforme a revista, os médicos se recusaram a entregar a bala, e os policiais foram embora. Só um fragmento da bala foi encontrado pelos médicos e encaminhado à Polícia Civil, que concluiu não ser possível compará-lo com as armas dos policiais que estavam patrulhando a região no momento.

Witzel publicou em seu perfil no Twitter que “sobre a informação de que policiais militares teriam tentado pegar a bala que atingiu a menina Ágatha, minha posição é firme: tudo será apurado com rigor. Os fatos, se comprovados, são inadmissíveis. Os culpados serão punidos”.

Ágatha, de 8 anos, foi morta por uma bala perdida quando estava em uma lotação, a caminho de casa, na Fazendinha (uma das favelas do complexo do Alemão), por volta das 21h do dia 20. Testemunhas alegam que o tiro foi disparado por algum dos policiais militares que patrulhavam a região. A PM diz que havia um tiroteio entre os agentes e criminosos. Uma moto passava pelo local no momento do disparo, e policiais alegam que o homem que ocupava a garupa atirou contra eles. Testemunhas negam que estivesse ocorrendo tiroteio.

A Polícia Militar informou por nota, genericamente, sem se referir diretamente ao incidente no hospital, que “possíveis condutas inapropriadas por parte de membros da Corporação também são objeto de apuração do Inquérito Policial Militar instaurado pela PMERJ e das investigações da Delegacia de Homicídios da Capital sobre o caso”. O comando da corporação ponderou, porém, que “a presença de policiais militares em unidades de saúde checando informações sobre a entrada de vítimas de disparos de arma de fogo faz parte das rotinas de atuação das equipes durante o serviço”. Já a Polícia Civil, também por escrito,  declarou que “não há nada nos autos sobre o fato citado". 

O Estado procurou a Secretaria de Saúde do Estado do Rio, mas não conseguiu localizar quem pudesse falar.

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