SEVERINO SILVA/AGÊNCIA O DIA
SEVERINO SILVA/AGÊNCIA O DIA

Tiro que atingiu estudante na perna foi disparado por PM

Maria Eduarda foi baleada também na cabeça e outras partes do corpo; é possível, portanto, que a adolescente não tenha sido morta por esse disparo

Fábio Grellet e Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

07 de abril de 2017 | 17h05

RIO - Pelo menos um dos tiros que atingiram a estudante Maria Eduarda Alves da Conceição, de 13 anos, morta enquanto estava na escola em Acari, na zona norte do Rio, em 30 de março, partiu da arma do cabo da PM Fábio de Barros Dias.

A conclusão, divulgada nesta sexta-feira, 7, pela Globonews, foi obtida em perícia nos três fuzis recolhidos com envolvidos no suposto confronto entre policiais e criminosos que resultou na morte da garota. No episódio, Dias e o sargento David Gomes Centeno foram filmados quando executavam dois suspeitos já feridos, no chão. Em sua defesa, eles alegaram que se sentiram ameaçados porque os homens estavam armados. 

Peritos da Polícia Civil concluíram que um projétil que atingiu a coxa esquerda da adolescente foi disparado por Dias. Outros quatro fragmentos, retirados da cabeça de Maria Eduarda, são muito pequenos e não puderam ser identificados. Dias foi ouvido novamente em depoimento nesta sexta, por policiais da Divisão de Homicídios.

Dias e Centeno participavam de uma ação policial na vizinhança da Escola Jornalista e Escritor Jornalista e Escritor Daniel Piza quando os tiros atingiram a estudante, que estava em uma aula de educação física. Os dois policiais estão presos e foram indiciados pelos homicídios de Alexandre Santos Albuquerque e Júlio Cesar Ferreira de Jesus, acusados de praticar assaltos a cerca de 80 metros da escola. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostrou os policiais disparando à queima-roupa nos suspeitos.

Por essa conduta, foram indiciados por homicídio doloso (intencional) qualificado. Se ficar provado que os tiros que mataram Maria Eduarda partiram das armas deles, os policiais vão responder a outro processo.

Reunião. Parentes de Maria Eduarda se reuniram nesta sexta com o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), e os secretários de Segurança, Roberto Sá, e de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos, Átila Nunes. Durante o encontro, no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, em Laranjeiras (zona norte), foram debatidos três temas. Um foi o auxílio que o Estado deve prestar à família da estudante. Outro foi a hipótese de proibir ações policiais nos arredores de escolas em horário de aula. Foi discutida ainda a possibilidade de agendar uma reunião entre o governador e lideranças comunitárias para debater medidas de combate à violência no Estado. 

Emocionada, a mãe da estudante, Rosilene Ferreira, chegou ao local levando no pescoço as medalhas que a menina conquistou em competições de basquete. Uma faixa foi estendida em frente ao Palácio Guanabara com a frase: "Maria Eduarda, esse caso está nas mãos de Deus".

O valor da indenização ainda não foi definido. O advogado da família de Maria Eduarda, João Tancredo, também participou da reunião e vai tratar dessa questão com o governo. Pezão se comprometeu a agilizar o pagamento e cobrou celeridade na investigação.

"A orientação do governador é que a apuração seja a mais rápida possível. O importante é que não haja mais vítimas como nesse caso, e tragédias como essa não se repitam", afirmou o secretário Átila Nunes.

 

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