Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Em dia de pânico na Rocinha, tiroteios deixam seis feridos

Baleados são dois PMs, três suspeitos e um morador; na Avenida Niemeyer, um ônibus foi incendiado próximo ao Vidigal

Fábio Grellet e Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2018 | 12h05
Atualizado 25 Janeiro 2018 | 21h23

RIO E SÃO PAULO - Pelo menos seis pessoas foram baleadas durante confrontos registrados nesta quinta-feira, 25, na Favela da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro. A Polícia Militar realizou, desde o início da manhã, uma operação policial para combater o tráfico de drogas, e criminosos reagiram. Segundo o aplicativo Onde Tem Tiroteio, foram registrados pelo menos oito tiroteios intensos na favela ao longo do dia. Os feridos são dois PMs, três suspeitos e um morador, atingido por bala perdida. Um dos PMs está internado em estado grave e corre risco de morrer. Foram apreendidos sete fuzis, quatro pistolas e uma granada.

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A 11ª Delegacia de Polícia, que atende a Rocinha e fica na Rua Bertha Lutz, ao pé do morro, foi cercada pela polícia por volta das 16h30. O bloqueio ocorreu depois que, interceptando conversas de criminosos, policiais descobriram um suposto plano para atacar a delegacia. O trânsito na Rua Bertha Lutz foi interrompido, e cones plásticos foram espalhados ao redor do imóvel. PMs do Batalhão de Choque reforçaram o policiamento no local, mas até as 20 horas não havia ocorrido nenhuma tentativa de ataque.

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Um boato de que criminosos haviam atacado a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha foi negado pela PM.

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"As perfurações na base (da UPP) foram decorrentes de confronto armado que ocorreu entre criminosos e equipe do Bope (o grupo de elite da PM) nas proximidades", afirmou a PM, em nota.

Nas redes sociais, moradores relatam o pânico com os tiroteios desta quinta. Alunos da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), que fica na Gávea (zona sul), em uma área próxima à Rocinha, também se assustaram com o barulho dos tiros, ouvidos a partir do campus.

"Parece filme de guerra", narrou um aluno no Facebook.

Ao final do dia, a PM informou que quatro suspeitos foram presos (os três feridos, que estão internados sob escolta no Hospital Miguel Couto, na Gávea, e outro que não foi atingido).

 

A PM também usou o Twitter para pedir doação de sangue para o soldado Tiago Chaves da Silva, que foi baleado durante a operação na Rocinha.

Vidigal e Jacarezinho

Por volta das 17h30, um ônibus foi incendiado na Avenida Niemeyer, à margem da Favela do Vidigal, vizinha da Rocinha. Houve manifestação de moradores, e a via ficou interditada nos dois sentidos pelo menos até as 19h40.

Segundo a Polícia Militar, o protesto ocorreu após um homem ser preso pela UPP do Vidigal. Com ele foi apreendido um fuzil AK-47 e uma pistola nove milímetros. O ataque ao ônibus (da linha Troncal 4, que liga a rodoviária, no centro, ao bairro de São Conrado, na zona sul) não deixou feridos. Ninguém foi preso.

Na Favela do Jacarezinho, na zona norte, 15 pessoas foram presas durante operação da Polícia Civil para tentar prender acusados pela morte do delegado Fábio Monteiro, assassinado no último dia 12. Nenhum acusado por esse crime foi detido, mas a polícia conseguiu prender Wellington de Souza Macedo, conhecido como Caolha e acusado de participar do assassinato de Bruno Guimarães Buhler, de 36 anos, policial civil da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Buhler foi assassinado em 11 de agosto do ano passado.

 

Operação conjunta

As Forças Armadas e a Polícia Rodoviária Federal realizaram nesta quinta-feira uma ação de combate ao crime nas principais vias expressas do Rio de Janeiro. A operação começou às 5 horas, reuniu 3.000 militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, além dos policiais rodoviários, e foi coordenada pelo Comando Militar do Leste em parceria com a Secretaria de Segurança do Estado. Até as 20 horas, não havia sido divulgado balanço da ação militar.

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