Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Domingo de confrontos na Rocinha deixa pelo menos um morto

Segundo polícia, troca de tiros envolveu membros de uma mesma facção; dois acessos do metrô foram fechados temporariamente por causa do confronto

Fábio Grellet, Fernanda Nunes e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2017 | 11h31
Atualizado 17 de setembro de 2017 | 21h42

RIO – Pelo menos uma pessoa morreu e três ficaram feridas durante intenso e prolongado tiroteio registrado na manhã deste domingo na favela da Rocinha, na zona sul do Rio. Segundo a Polícia Civil, o confronto decorre de uma disputa entre traficantes pelo domínio do comércio de drogas na comunidade, controlado pela facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA). Foi o maior confronto desde que a favela passou a contar com uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), em 20 de setembro de 2012.

Segundo a polícia, o morto é Thiago Fernandes da Silva, de 25 anos, que já fora investigado por tentativa de homicídio e tráfico de drogas. Embora Silva já tenha sido acusado pelos crimes, sua família nega que o rapaz estivesse participando dos confrontos e diz que ele foi atingido por uma bala perdida. A Polícia Civil investiga o caso para descobrir as condições em que Silva foi morto.

Nas redes sociais, moradores da Rocinha afirmaram haver mais mortos, mas até as 20 horas nenhuma outra vítima morta havia sido localizada.

Segundo a 11ª Delegacia de Polícia (DP), na Rocinha, três pessoas ficaram feridas durante os confrontos de ontem. Duas foram encaminhadas ao Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, na zona oeste, e a terceira foi atendida no Hospital Miguel Couto, no Leblon, na zona sul. Nenhum deles corre risco de morrer, segundo a polícia. Ao longo do dia, a polícia apreendeu oito carros que teriam sido usados na tentativa de invasão. Todos são roubados ou furtados.

Para a Polícia Civil, o confronto deste fim de semana é mais uma consequência do racha na quadrilha que controla a venda de drogas na favela. Em novembro de 2011, o chefe do tráfico na Rocinha, Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, foi preso. Desde então, Rogério Avelino da Silva, conhecido como Rogério 157, que atuava como segurança de Nem, passou a controlar o comércio de drogas na favela.

Silva teria recebido informações de que um de seus homens de confiança estava mudando de facção e iria atacá-lo para tentar dominar o tráfico na Rocinha. Rogério teria então ordenado a morte desse e de outros dois comparsas. O crime ainda não foi esclarecido, mas a principal linha de investigação indica que Rogério seja o mandante dos homicídios. Para a polícia, o grupo de Rogério rachou e, nos confrontos deste domingo, seus adversários tentaram expulsá-lo da favela, mas fracassaram.

Os primeiros confrontos foram relatados por moradores da Rocinha, por meio das redes sociais, já durante a madrugada deste domingo. Por volta das 6 horas os tiroteios se intensificaram e um carro da UPP da Rocinha foi atacado enquanto trafegava pela Via Ápia, um dos principais acessos à favela. Os policiais revidaram e ninguém se feriu. Os moradores da Rocinha passaram o dia todo relatando os tiroteios e publicando vídeos nas redes sociais.

Devido aos confrontos, dois acessos à estação de metrô São Conrado, da Linha 4, inaugurada ano passado para os Jogos Olímpicos, permaneceram fechados por cerca de duas horas, por volta do meio-dia. De manhã, por meio de sua conta no Twitter, a Polícia Militar chegou a recomendar que a população evitasse passar pela área da Rocinha. As principais entradas da Rocinha ficam às margens da Autoestrada Lagoa-Barra, principal ligação entre a zona sul do Rio e a Barra da Tijuca, na zona oeste.

Na página Rocinha Alerta, internautas postaram cenas de moradores impedidos de subir a favela e retornar às suas casas.

 

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