Tiroteio deixa um morto e nove feridos no centro de Paraty

Dois homens supostamente envolvidos com o tráfico foram a um bloco com o intuito de executar integrante de uma gangue rival

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2015 | 12h48

Texto atualizado às 22h15

RIO - Dois homens foram presos após um tiroteio no centro histórico de Paraty (RJ) ter deixado um morto e nove feridos na madrugada deste domingo, 15. Miguel da Conceição Oliveira, de 20 anos, foi localizado por policiais do 33º Batalhão da Polícia Militar (BPM) na casa de parentes. Ele não reagiu à prisão. No início da tarde, outro suspeito, Paulo Henrique Alcântara, de 39 anos, já havia sido preso em um sítio da cidade. Com ele foram encontradas armas e munições.

O tumulto começou durante um bloco na Praça da Matriz. Os dois presos, supostamente envolvidos com o tráfico de drogas local, foram ao bloco com o intuito de executar Emerson de Jesus, o Bananinha, de 23 anos, integrante de uma gangue rival. Ele chegou a ser hospitalizado e passou por cirurgia, mas morreu no início da tarde, de acordo com o titular da 167ª Delegacia de Polícia (DP), Bruno Gilaberte. Ele tinha passagem pela polícia por porte ilegal de arma, quando ainda menor de idade, e estaria desarmado no momento em que foi atacado.

Um dos dois suspeitos deu um tiro, revidado por um companheiro de Emerson. Dos dez baleados, dois eram turistas. Ao todo, apenas três permanecem internados, mas estão fora de perigo. Os demais foram atendidos, liberados e já foram ouvidos pela Polícia Civil, segundo o delegado.


De acordo com Gilaberte, Emerson e os dois homens que tentaram executá-lo pertenciam a grupos rivais que não tem estrutura organizada e cuja atuação é local.


"Aqui há uma rixa grande dentro de dois bairros, Ilha da Cobras e Mangueiras", afirmou o delegado, descartando que algum deles exercesse um papel de líder de um desses pequenos grupos.


A Polícia, que já analisou imagens de câmeras próximas ao local, agora espera pelo depoimento dos três baleados que permanecem internados.

Mudança. O prefeito de Paraty, Carlos José Gama Miranda, O Casé (PT), afirmou que o policiamento do carnaval de rua foi reforçado: em vez de 40, agora serão 80 PMs patrulhando as ruas do centro histórico. De acordo com ele, o carnaval de rua não será suspenso, mas o fim dos blocos será antecipado em duas horas e meia todos os dias para evitar tumultos e exagero no consumo de álcool.


Até o sábado, 14, os blocos desfilavam de 21h até 3h da madrugada - e agora passarão a começar uma hora mais cedo e terminar às 0h30. "É uma medida para a gente dar uma 'segurada'. Quanto mais tarde fica, maior é a possibilidade de ter pessoas bêbadas", afirma.


Casé trata o caso como um "episódio isolado". "A gente não pode se abalar. Temos que mostrar que somos pessoas de bem e que é um caso isolado", disse o prefeito, descartando a suspensão do carnaval de rua. De acordo com ele, a confusão se seu "a poucos metros do polígono de segurança" que vigiava o local.

O prefeito, secretários e representantes de blocos da cidade se reuniram com o comando do Batalhão de Angra dos Reis, responsável pelo policiamento em Paraty. Segundo ele, a questão do tráfico preocupa o município, de 39 mil habitantes. "Isso vem acontecendo em todo o país e a nossa cidade não é diferente. A gente sofre porque tem um fluxo muito grande de turistas. A questão de briga de tráfico vem acontecendo aqui no litoral", admite.

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