Tiroteio em Ipanema assusta moradores e comerciantes

Segundo testemunhas, rapaz em bicicleta atirou em PMs que estavam em carro; polícia revidou e suspeito fugiu; ninguém se feriu

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

25 Maio 2015 | 00h35

Atualizada às 18h38

RIO - Cinco dias após o assassinato do médico Jaime Gold, que pedalava na Lagoa, Ipanema, bairro vizinho, foi cenário de tiroteio no meio da rua. Aconteceu no domingo, por volta das 20 horas. Segundo testemunhas, um rapaz numa bicicleta atirou em policiais que o perseguiam de carro, na movimentada esquina da Ruas Visconde de Pirajá, a principal de Ipanema, e Vinicius de Moraes. Os PMs revidaram. Ninguém ficou ferido. O suspeito fugiu. 

Lojistas e moradores reclamam da insegurança no bairro, o segundo metro quadrado mais caro do Brasil: só perde para o Leblon, informa o portal imobiliário Agente Imóvel. Revoltados, comerciantes contam que, além dos aluguéis inflacionados, arcam com a segurança particular, à paisana e desarmada, que custa cerca de R$ 400 mensais.

“Ninguém tem coragem de não pagar e ver no que dá. Com o segurança, os pivetes não chegam perto”, contou um deles. “Acho mais barato pagar do que ser importunada. É um por rua e eles impõem respeito. Já soube que se a pessoa não paga e acontece alguma coisa, eles veem roubando e cruzam os braços”, disse outra. Os comerciantes pediram para não serem identificados. 

O ponto onde aconteceu o tiroteio concentra cinco bares e um restaurante, que estavam movimentados. O jornaleiro Gleife da Silva, de 39 anos, se preparava para ir embora quando ouviu os tiros. “Foram uns cinco de cada lado. Todo mundo ficou em pânico, porque não dava para saber de onde vinham. A banca é de alumínio e a primeira coisa que fiz foi tentar me esconder na rua mesmo.”

Moradora de Ipanema e dona da loja de roupa íntima Amor Perfeito, Ana Cubiaco, de 59 anos, tentava agilizar a encomenda de uma porta de vidro, prometida para daqui a 15 dias úteis: a sua foi estilhaçada pelos disparos. “Ninguém tem mais paz em Ipanema. Tem muito assaltante de bicicleta, muito pivete. Quando estou na calçada e ouço o barulho de bicicleta vindo, já fico atenta. Na Visconde de Pirajá já contei 60 lojas fechadas, culpa dos altos aluguéis e da violência.”

A polícia busca imagens de câmeras de segurança. A suspeita é que o homem, que tinha um revólver, seja assaltante e fugiu para o vizinho morro do Cantagalo. Ele era seguido pela patrulha desde a praia. Os policiais jogaram o carro contra a bicicleta porque ele não atendera a ordem para parar.

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