Leo Correa/AP
Leo Correa/AP

Rio tem novos confrontos, 3 mortes e mais medo na Linha Amarela

Operação da polícia na Cidade de Deus levou a tiroteio que chegou a fechar a via; capital fluminense vive escalada de violência

Ana Paula Niederauer, Fábio Grellet e Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2018 | 12h15
Atualizado 31 Janeiro 2018 | 23h10

RIO E SÃO PAULO - A dez dias do carnaval, principal evento turístico do Rio, a capital fluminense vive uma escalada de tiroteios e violência que assusta a população e preocupa organizadores da festa. A série de incidentes violentos dos últimos dias resultou nesta quarta-feira, 31, morte de três suspeitos na região da Cidade de Deus, na zona oeste da capital. Os homens foram mortos pela polícia em confrontos que provocaram interrupção, por pelo menos três vezes, do tráfego da Linha Amarela, via expressa entre as zonas norte e oeste. 

Sob o som dos tiros, motoristas abandonaram veículos e se protegeram, e jovens jogaram pedras, dispararam rojões e incendiaram pneus. Ainda nesta quarta, houve perseguição e prisão de suspeitos na Refinaria Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Na madrugada do sábado, um garçom morreu em tiroteio na Tijuca, na zona norte, quando criminosos, fugindo da polícia, cruzaram com um bloco.

Os confrontos desta quarta começaram por volta das 8 horas. Policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Cidade de Deus flagraram homens armados na localidade conhecida como Apartamentos. Houve tiroteio e os policiais prenderam Vinícius Guimarães da Silva, de 29 anos, foragido do sistema prisional. Os outros criminosos fugiram. 

Logo depois, o comando da UPP, segundo a PM, soube que Rodolfo Pereira da Silva, o Rodolfinho, estava ferido e havia sido internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro. Baleado nesse primeiro tiroteio, acabou morrendo. Silva era apontado pela polícia como o segundo principal chefe do tráfico na Cidade de Deus. Foragido do sistema prisional, tinha quatro ordens de prisão.

Às 10h40, em represália à morte de Rodolfinho, moradores da Cidade de Deus iniciaram um protesto e tentaram interromper o trânsito na Linha Amarela. A mobilização foi rapidamente dispersada pela PM, mas alguns objetos permaneceram na via. Logo depois, uma viatura do Batalhão de Vias Expressas que trafegava pelas imediações da Cidade de Deus foi atacada com pedras e paus. Uma cabine da PM foi alvo de tiros. Ninguém se feriu.

Encurralados

Os protestos continuaram e causaram pelo menos mais duas interdições na Linha Amarela. Nem a concessionária que administra a via soube informar quantas foram; em nota, limitou-se a informar que houve “fechamentos intermitentes”. Homens atiraram objetos na via, e pneus e lixo foram incendiados para formar barricadas. Fogos de artifício eram disparados contra a via. Motoristas fugiram pela contramão, mas outros, encurralados, abaixaram-se atrás dos seus veículos. Alguns estavam com crianças. A própria Polícia Militar ordenou que a Linha Amarela ficasse fechada nos dois sentidos por cerca de uma hora, para proteção dos usuários, segundo a corporação.

Ainda de manhã, na mesma região, policiais militares do 18.º Batalhão (Jacarepaguá) foram alvo de tiros enquanto patrulhavam o Caminho do Outeiro, perto da Cidade de Deus. Os PMs reagiram, e dois suspeitos foram feridos. Levados ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca (zona oeste), eles morreram. Um terceiro suspeito foi preso. Foram apreendidas pistolas, além de drogas e radiocomunicador.

Em Duque de Caxias, um assalto acabou em tiroteio dentro da Reduc, da Petrobrás, por volta das 14 horas. Dois suspeitos em fuga entraram na refinaria, onde acabaram presos. Ninguém foi atingido pelos disparos, que também não acertou as dependências da refinaria. Segundo a Petrobrás, dois ladrões de carga foram identificados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e perseguidos ao longo da Rodovia Washington Luís.

Proteção

O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (MDB), falou sobre os tiroteios na Cidade de Deus. “A polícia está cumprindo sua função. Os nossos policiais estão nas ruas protegendo a população, combatendo o crime, enfrentando criminosos. É lamentável o que aconteceu, mas aconteceu porque a polícia estava lá trabalhando, cumprindo seu papel, patrulhando as ruas, prendendo bandidos, apreendendo armas”, afirmou. “O problema da violência não acontece apenas no Rio, acontece no País todo.” 

Para líderes dos blocos que já estão realizando desfiles pelas ruas, o recrudescimento da violência é uma preocupação adicional. Blocos como o Cordão da Bola Preta chegam a reunir 1,5 milhão de pessoas e o risco de se repetir um episódio como o do último domingo assusta.

“Não temos controle sobre isso, então nos resta pedir ao Estado que reforce a segurança. Foi isso que fizemos depois do tiroteio do último domingo. Já pedimos respaldo ao batalhão e à delegacia para os próximos desfiles, e vamos fazer um minuto de silêncio”, afirmou Márcia Rossi, presidente da Associação de Blocos e Bandas da Grande Tijuca. 

Em nota no twitter, o Centro de Operações do Rio, pede aos motoristas para evitar a região da Linha Amarela.

 

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