Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Tiroteio no Complexo do Alemão deixa ao menos 6 mortos

Moradores relataram uso de helicóptero e fechamento de 14 escolas após mais um confronto na comunidade

Caio Sartori e Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2019 | 10h21
Atualizado 18 de setembro de 2019 | 18h55

RIO - Pelo menos seis pessoas foram mortas e um policial militar ficou ferido durante confrontos entre a PM e traficantes no complexo de favelas do Alemão, na zona norte do Rio, na manhã desta quarta-feira, 18. Segundo a Polícia Militar, todos os mortos seriam suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas. Já os moradores afirmam que uma das vítimas era mototaxista e estava trabalhando quando foi alvejada.

A PM chegou a usar um helicóptero na ação, que também contou com o tradicional “caveirão”. Vídeos postados nas redes sociais pelo jornal comunitário Voz das Comunidades mostram cenas do conflito, que durou várias horas.

Os moradores apontaram, ainda, que essa seria a primeira operação do governo Wilson Witzel a usar helicóptero no Alemão, a partir do qual teriam sido feitos disparos contra pessoas em terra. Segundo afirmam, houve fechamento de ao menos 14 escolas na região por causa da troca de tiros. 

Por meio de nota, a PM disse que o Comando de Operações Especiais (COE) e agentes das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) atuam no Alemão “com o objetivo de reprimir o tráfico de drogas na região e localizar de (sic) criminosos.” Ao entrarem na comunidade, afirma a nota, os policiais teriam sido recebidos a tiros por criminosos.

Um policial de 34 anos foi baleado e levado para o Hospital Getúlio Vargas, que fica perto da comunidade. Submetido a cirurgia, ele estava em estado grave, segundo a PM.

A polícia diz ter apreendido um fuzil, quatro pistolas e 47 artefatos explosivos. Também teriam sido encontrados duas prensas e diversos coletes.

Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), o Rio, sob a gestão Witzel, bateu recorde no número de mortes por intervenção de agentes do Estado - ou seja, de mortos por policiais. De janeiro a julho deste ano, 1.075 pessoas foram vítimas fatais nessas circunstâncias, o que representa um aumento de 20% em relação ao mesmo período do ano passado. 

 

 

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