Roberto Moreyra/O Globo/
Roberto Moreyra/O Globo/

‘Toda a população está desprotegida’, diz policial que fazia guarda de traficante

Sargento relatou momentos de terror durante invasão do hospital: 'Vieram gritando 'perdeu, perdeu', apontando a arma'

Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

19 de junho de 2016 | 21h45

RIO - O sargento Fábio Melo, encarregado com outro PM da custódia no Hospital Municipal Souza Aguiar do traficante Nicolas Labre Pereira de Jesus, o Fat Family, desabafou na manhã deste domingo, 19, ao relatar os momentos de terror vividos no local por causa da invasão por criminosos para retirar um traficante.  “Graças a Deus sai ileso e ajudei meu amigo, que trabalha comigo, mas a gente está desprotegido. Eu estou, vocês estão, toda a população está. Enquanto estiver com essa política, infelizmente a gente está na merda. Desculpe o linguajar, mas é isso o que está acontecendo”, disse Melo a jornalistas na portaria do hospital.

O sargento contou que os invasores fizeram uma recepcionista refém e a obrigaram a subir até a enfermaria onde estava o traficante, para distrair a segurança, mas ela não foi e implorou para ser solta. “Estava na frente da porta da enfermaria. Como não tem lugar para sentar, meu colega estava na escada, na frente. Por isso consegui vê-los chegando”, disse o PM.

Segundo ele, “eram uns seis (bandidos), de fuzil e pistola”. “Vieram gritando ‘perdeu, perdeu’, apontando a arma. A gente entrou na escada e ficou encurralado. Lá debaixo, eles miravam para nós enquanto outro grupo arrebentou a algema.”

Após o resgate, Melo seguiu para o térreo, onde encontrou o policial de folga e um homem feridos. “Um enfermeiro se assustou e foi baleado. Foram três feridos e infelizmente um morreu.” Embora Melo tenha mencionado apenas mais um colega na custódia, a PM sustentou que havia cinco policiais na escolta durante a madrugada.

A Secretaria da Segurança informou que o secretário José Mariano Beltrame se reuniu com subsecretários e a cúpula da PM para estudar soluções sobre a custódia de presos em hospitais públicos do Rio. O governador interino Francisco Dornelles (PP) cobrou “rigor nas investigações”.

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