Traficante preso no aeroporto do Ceará é transferido para o Rio

'Joca' é considerado o líder do tráfico na favela da Rocinha e foi preso quando esperava a namorada chegar

Clarissa Thomé, do Estadão,

22 Outubro 2007 | 14h05

O traficante João Rafael da Silva, o Joca, deve chegar ao Rio de Janeiro por volta das 19 horas desta segunda-feira, 22, acompanhado por 11 policiais que o prenderam no domingo, 21, no Aeroporto de Fortaleza, no Ceará. Joca vai fazer o percurso entre a capital cearense e o Rio em um avião da Gol.   Ex-chefe do tráfico de drogas da Rocinha, maior favela da zona sul do Rio, Joca estava hospedado em um flat de luxo de Fortaleza, na praia de Iracema, enquanto estudava a região onde pretendida se estabelecer. Antes, passou pelo Distrito Federal e por Mato Grosso, segundo a investigação.   Policiais localizaram Joca a partir de denúncias de moradores, por isso a operação foi batizada de Cidadão Carioca. Joca teria fugido com R$ 2,5 milhões há cerca de dois meses. O delegado não confirmou o valor, mas disse que "a informação é de que ele deu uma 'volta' no caixa do movimento (tráfico)". Ele foi preso quando esperava a namorada chegar à capital do Ceará   Comemoração   O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, comemorou a prisão e respondeu às críticas de violência policial feitas por entidades como a seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em relação às recentes operações na cidade.   "As pessoas usam um discurso míope, descolado da realidade. A mesma inteligência que produziu conhecimento que levou à prisão do Joca nos leva a buscar armas e drogas na Grota (Complexo do Alemão) ou na Coréia (zona oeste). O que mudam são as circunstâncias. Uma coisa é prender no Aeroporto ou na Avenida Vieira Souto. Outra é ir à Grota e à Coréia", afirmou Beltrame, em entrevista coletiva na manhã desta segunda detalhar a operação da Polícia Civil que terminou com a prisão de Joca.   Trajetória   Joca é acusado de ter integrado as quadrilhas de Denir Leandro dos Santos, o Dênis da Rocinha, assassinado no presídio Bangu 1 em 2001, e de Luciano Barbosa da Silva, o Lulu da Rocinha, morto em confronto com a polícia em 2004.   Ele assumiu as bocas-de-fumo da favela no fim de 2005, após a morte de Erismar Rodrigues Moreira, o Bem-Te-Vi, e do sucessor dele, Orlando José Rodrigues, o Soul. Padrinho de uma filha de Bem-Te-Vi, Joca comandaria as bocas-de-fumo na parte alta da favela. Também é acusado de ter participado da execução de três adolescentes na Rocinha, em março.

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