Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Traição amorosa ajuda polícia a investigar manifestantes no Rio

Jovem que teve namorado 'roubado' por Sininho relatou articulações dos mascarados e revelou uma tentativa de incendiar a Câmara

Sergio Torres, O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2014 | 18h05

RIO - Uma traição amorosa na cúpula da organização rotulada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de quadrilha armada ajudou os investigadores a apurar como agia o grupo responsabilizado pelo comando dos protestos violentos que ocorreram no Rio a partir de junho de 2013.

Líder dos manifestantes, Elisa Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, é acusada em depoimento de ter "roubado" o companheiro da ativista Anne Josephine Louise Marie Rosencrantz. Em represália, a traída relatou à polícia as articulações e os atos praticados pelos mascarados, como a tentativa de incendiar a Câmara de Vereadores. 

O depoimento da estudante Anne Josephine, 21 anos, foi prestado na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática em 11 de junho deste ano, na condição de testemunha. Ela contou manter relacionamento antigo com Luiz Carlos Rendeiro Júnior, o Game Over, de 25, indiciado que teve a ordem de prisão revogada pela Justiça. O casal tem um filho de dois anos.

Desde o ano passado Game Over namora Sininho. Quando ela foi presa em flagrante em outubro, acusada por depredações, o rapaz aparece, em fotografias, abraçando-a. Sininho, chorosa, estava em um ônibus cheio de detidos. Colocou a cabeça e os braços para fora, agarrando-se ao namorado. Ele, do lado de fora, parecia tentar consolá-la. 

A divulgação da imagem incomodou Anne Josephine, que contou ter ouvido de Sininho a confirmação do romance com Game Over. “Sininho diz que ela e Game Over tinham um romance revolucionário”, declarou a depoente.

O antagonismo entre Sininho e Anne Josephine acirrou-se no decorrer das manifestações. A estudante contou no depoimento que a rival costumava criticá-la.

“Quando começou a frequentar os protestos, Sininho disse que a declarante deveria respeitar a hierarquia do movimento, que teria que conquistar seu espaço e não aproveitar de ser esposa de Game Over”, informa a transcrição do depoimento anexado ao volume três do inquérito policial.

Anne Josephine conta à polícia que parte dos manifestantes, entre eles Game Over, impediu que Sininho consumasse o plano de atear fogo ao prédio da Câmara, na Cinelândia (centro do Rio), na noite de 7 de outubro passado.

 “Na época em que começaram os atos violentos nos protestos, a declarante viu Sininho mandando manifestantes buscar três galões de gasolina. (...) Viu Sininho subindo a escada da Câmara e alguns manifestantes atrás dela carregando os três galões, de aproximadamente dez litros de gasolina. Alguns manifestantes comentaram que a atitude de Sininho poderia fazer com que eles fossem presos, que isso não havia sido combinado pelos manifestantes.”

Ainda de acordo com o depoimento, “já tinha manifestante tacando coquetéis molotov na Câmara e que os galões de gasolina também seriam utilizados para incendiar a Câmara”. 

“Game Over e outros manifestantes ficaram contra Sininho e mandaram retirar os galões da Câmara”, diz a depoente. Ao final do depoimento, Anne Josephine detalha as funções e o comportamento dos manifestantes apontados pela Polícia Civil como líderes da organização. Afirma ainda ter presenciado o consumo de drogas, como cocaína, pelos manifestantes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.