MARCOS ARCOVERDE/AE
MARCOS ARCOVERDE/AE

Três homens são presos após manterem seis reféns no RJ

Pai de uma das vítimas trocou tiros com os bandidos, que se entregaram à polícia depois de negociação

Clarissa Thomé, da Agência Estado,

06 de setembro de 2009 | 13h14

Três homens foram presos depois de manterem seis pessoas como reféns no prédio de número 62 da rua Assis Brasil em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. 

 

O assalto começou por volta das 2h30, quando o engenheiro Michel Caspary e uma amiga foram rendidos pelos três homens, no Largo do Machado, zona sul. Michel foi obrigado a levar os assaltantes à casa dele, no Edifício Campos Sales, na Rua Assis Brasil. Lá, os pais do engenheiro, o capitão de mar-e-guerra Guilherme Caspary e a mulher, Clarita Caspary, foram amarrados e obrigados a entregar pertences.

 

Os assaltantes - Laércio da Conceição Júnior, de 20 anos, e os primos Ricardo do Nascimento Florentino, de 19, e Roberto de Aquino Florentino, de 20 - obrigaram Michel, a amiga e a mãe a ajudá-los a descer à garagem com as joias, relógios, roupas e aparelhos eletrônicos roubados. Colocaram tudo no carro de Michel, uma Pajero. No apartamento, Guilherme Caspary conseguiu se soltar e pegou seu revólver calibre 32.

 

Quando os criminosos voltaram, Conceição Júnior, ao ver que o homem havia se soltado, atirou em sua direção, mas errou o alvo. O oficial reagiu e feriu Ricardo Florentino de raspão no braço direito. O assaltante fez ainda mais dois disparos, não conseguiu atingir Caspary, mas teve sorte porque o revólver do capitão emperrou.

 

Os assaltantes fugiram em direção ao terraço com Clarita, Michel e a amiga. Eles passaram para o telhado do prédio vizinho e pularam ainda para a cobertura de outro, o Edifício Maria Heloísa. Clarita, que machucou o pé ao pular de um terraço para o outro, acabou sendo deixada para trás. "Foi o pior momento: quando levaram meu filho, eu caí e não pude ir junto com ele. Ele foi e eu fiquei", contou Clarita, emocionada, já na delegacia. Na cobertura, o grupo ainda fez outras pessoas de refém. "Ficamos quase cinco horas sob a mira deles. Foram momentos muito tensos", disse Michel.

 

A Polícia foi acionada e agentes do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) negociaram a libertação dos reféns, o que só aconteceu quando a mãe de um dos assaltantes chegou. Os criminosos exigiram a presença da imprensa e das famílias para se entregarem, o que aconteceu por volta das 7 horas. A mãe de Ricardo, Maria (nome fictício), de 38 anos, saiu de casa com a filha de 10 meses. Ela queria entrar no quarto onde os assaltantes estavam com os reféns. Foi convencida a fazê-los entregar a pistola primeiro.

 

De acordo com o delegado Antenor Martins, da 12.ª Delegacia de Polícia, os três rapazes já tinham antecedentes criminais. Roberto Florentino estava em liberdade condicional por roubo e furto. Ricardo Florentino estava em liberdade assistida e trabalhava no Fórum como mensageiro por ter sido apreendido por roubo de celular e furto de rádio de carro, quando ainda era menor de idade. Os três assaltantes foram indiciados por tentativa de homicídio e roubo triplamente qualificado - emprego de arma de fogo, concurso de pessoas e privação de liberdade das vítimas e podem ficar presos por até 20 anos.

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