Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Tubarão é 'mimado' no futuro AquaRio

Eles ganham comida na boca antes da abertura do maior espaço do gênero na América do Sul; local será inaugurado em 9 de novembro

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2016 | 05h00

RIO - Comida na boca. É assim que Margarida e Sharon são alimentadas pelos biólogos no tanque oceânico de 3,5 milhões de litros de água. Margarida é uma tubarão mangona de 2 metros de comprimento. Sharon é uma tubarão lambaru que mede 2,5 metros. Elas estão entre as principais atrações do Aquário Marinho do Rio, o maior da América do Sul, que será inaugurado em 9 de novembro.

Na fase final dos preparativos, o AquaRio recebe os últimos peixes, como tubarões, bicudas, garoupa de São Tomé (avermelhada, com pintinhas em branco). Os que ainda estão na quarentena, em 40 tanques, começam a ser levados para os recintos que passarão a habitar.

Margarida e Sharon dominam o “tancão”, como o tanque oceânico passou a ser chamado por tratadores, biólogos e veterinários. Convivem com raias, xereletes, cocorocas, enxadas. Soberanas, têm como seguidores cardumes de xereletes. “Quem tem coragem de nadar na frente do tubarão?”, brinca o biólogo Marcelo Szpilman, diretor-presidente do AquaRio.

Dois galhas brancas, outra espécie de tubarão, vindos da Indonésia, se juntaram aos “colegas”. São Carol e Arthur, que têm cerca de 1 metro de comprimento. Mas tem um tubarão que nunca é visto, um galha branca de recife, de 1,2 m de comprimento. Desde que chegou ao tancão, em setembro, tem se escondido sob o túnel que atravessa o tanque oceânico. De tão tímido, nem foi batizado ainda.

Infográfico: Veja em detalhes como será a estrutura do AquaRio

Veterinários e biólogos estão dedicando os dias a retirar os animais da quarentena. O grande tanque já tem 600 peixes. Deve receber mais 200 até a abertura. “A gente diz que esse tanque oceânico é como o regresso do animal ao mar. Muitos não estão se alimentando na quarentena e, quando voltam para aquele espaço extraordinário, em que convivem com outras espécies, voltam a se alimentar normalmente”, explica Szpilman.

Os animais ficam em quarentena porque são capturados no mar. Chegam cheios de parasitas, alguns até com sanguessugas. Precisam passar por vermifugação, antibióticos, nos casos mais graves. Por fim, recebem banho de água doce para acabar com possíveis infestações de neobenedenia, parasita que destrói as guelras e afeta o sistema respiratório dos peixes.

Todo esse processo pode levar de 20 a 40 dias, nos quais peixes ficam nos tanques. Os maiores, como os tubarões e raias, ficam em piscinas de 14 mil litros de água. “Os peixes coletados na Baía de Guanabara têm chegado mais acometidos. Já os pescados em Angra dos Reis têm menos parasitas”, afirma a veterinária responsável do AquaRio, Daniela Lutfi.

Szpilman explica que a coleta de peixes é feita por pescadores treinados para retirar os animais do mar vivos e prepará-los para o transporte. A equipe do AquaRio vai buscá-los em locais como Angra (Costa Verde), Niterói (Grande Rio) e Cabo Frio (Região dos Lagos). 

Alimentação. O AquaRio terá 8 mil peixes, que consumirão 300 quilos por mês de frutos do mar. Os tubarões recebem sardinhas. Na boca. Os biólogos poderiam deixá-los se alimentar livremente, mas para garantir que eles estão comendo bem, e recebendo a quantidade adequada de vitaminas e suplementos, preferem usar uma espécie de braço mecânico para levar o peixinho até a boca dos bichos. “A sardinha é o chocolate do mar”, brinca uma bióloga. “Eles adoram.”

 

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