Tânia Rêgo/ABr
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Turista italiano é morto a tiros após entrar por engano em favela do Rio

A vítima e um amigo voltavam de uma visita ao Cristo Redentor quando ficaram sob o domínio de traficantes no Morro dos Prazeres

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

08 Dezembro 2016 | 15h35
Atualizado 08 Dezembro 2016 | 20h49

O turista italiano Roberto Bardella, de 52 anos, foi morto na manhã desta quinta-feira, 8, no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, na região central do Rio, depois de visitar o Cristo Redentor. Ele estava com o primo, também italiano, Rino Polato, de 59, que não sofreu ferimentos. Segundo informações da Polícia Civil, Polato ficou por duas horas sob o domínio de traficantes, em um automóvel, em cuja mala foi jogado Bardella. 

Os turistas queriam ir à praia e seguiam para a zona sul em duas motocicletas, quando um aplicativo de celular os direcionou para o Morro dos Prazeres. Às 11h30, entraram em uma rua e se depararam com um grupo de 8 a 12 homens armados. Bardella tinha uma câmera presa ao capacete e os criminosos atiraram. Polato acredita que o primo possa ter sido confundido com um policial.

Bardella foi atingido por um tiro na cabeça e outro no braço. Morreu imediatamente. O corpo do italiano foi colocado no porta-malas de um carro branco. Polato foi obrigado a sentar-se no banco de trás do veículo. Por cerca de duas horas, ele circulou pela favela, enquanto os traficantes deliberavam o que seria feito com ele. O turista relatou a policiais da Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deat) ter vivido momentos de angústia, sob intenso calor, sem saber o que seria feito com ele e sem entender o idioma.

Em determinado ponto, os criminosos pararam o carro, enterraram todos os pertences dos italianos (carteiras, câmera, capacetes, um celular). Em seguida, usaram luvas e lavaram as motocicletas, em uma tentativa de eliminar indícios, como impressões digiais. Às 13h30, Polato e o corpo de Bardella foram deixados na Rua Cândido de Oliveira, no Rio Comprido, na frente de uma igreja evangélica. Os policiais militares tentaram ouvir Polato, mas ele não conseguia se comunicar em outro idioma que não o italiano. Ele foi levado para a Deat, onde teve a ajuda de um intérprete para explicar o que acontecera. 

Polato e Bardella faziam um tour de motocicleta pela América do Sul. Entraram no Brasil por Foz do Iguaçu (PR) e já haviam passado pelo Paraguai. Os primos, de Veneza, começaram a viagem em 28 de novembro. O roteiro de 35 mil km pela América do Sul, incluía ainda Colômbia, Venezuela, Chile e Bolívia. As motocicletas Honda TransAlp, com placas europeias, foram recuperadas pela Polícia Militar. No baú, estava o outro celular, destruído por um tiro.

Buscas. A favela em que eles foram atacados recebeu uma Unidade de Polícia Pacificadora em fevereiro de 2011. Cerca de 180 PMs estão lotados ali. Além da proximidade do Cristo, um dos principais acessos à favela fica no ponto final do bondinho de Santa Teresa, na Rua Almirante Alexandrino.

O assassinato de Bardella está sendo investigado pela Divisão de Homicídios. Os policiais esperam que Polato, com ajuda de um mapa, consiga identificar os locais pelos quais passou enquanto foi mantido em poder dos traficantes e o ponto em que os criminosos enterraram os pertences dele e do primo. Na tarde de ontem, policiais de diferentes UPPS e batalhões fizeram buscas pelos criminosos em Santa Teresa.

 

 

 

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