Turista italiano morre atropelado ao perseguir assaltante no Rio

Rapaz caminhava com a família em Ipanema quando um homem lhe roubou o cordão de ouro

CLARISSA THOMÉ,

19 de novembro de 2007 | 20h01

O turista italiano George Morassi, de 28 anos, morreu atropelado na tarde desta segunda na Praia de Ipanema ao perseguir um assaltante. O rapaz estava acompanhado dos pais, do irmão e de amigos. O grupo caminhava pelo calçadão, quando um homem tentou roubar o cordão de ouro do pai de George. O italiano correu atrás do assaltante e foi atropelado por um ônibus. Segundo testemunhas, ao perceber o assalto, Morassi reagiu e chegou a derrubar o assaltante, que estava numa bicicleta. Eles chegaram a lutar e caíram na Avenida Vieira Souto, na esquina da Rua Farme de Amoedo. O italiano foi atropelado por um ônibus da Viação Expresso Pégaso, que faz a linha Santa Cruz-Castelo. A bicicleta também ficou sob o veículo, mas o assaltante fugiu. O corpo de Morassi ficou estirado na pista. Uma canga de praia, com reproduções das fitas de Nosso Senhor do Bonfim, foi usada para cobri-lo. Os pais e o irmão do rapaz entraram em desespero. O casal foi levado para o hotel em que a família está hospedada, enquanto o outro filho permaneceu junto ao corpo do irmão. "Eles viram o filho ser esmagado por um ônibus. Estão muito abalados", comentou o delegado Fernando Veloso, titular da Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat). O delegado pediu a perícia do local do acidente. Ele quer saber se o ônibus trafegava à velocidade compatível com o permitido para a Avenida Vieira Souto. Papiloscopistas também colheram fragmentos de digitais na bicicleta para que possa ser feita a comparação das impressões, caso suspeitos sejam presos. "Estamos tomando outras providências, mas é isso o que posso adiantar agora", afirmou Veloso. O acidente atraiu curiosos. Muitos se solidarizaram com a família de italianos. O funcionário de um quiosque contou que a morte do rapaz aconteceu em poucos segundos. "Ele pediu duas cervejas aqui, pagaram e seguiram adiante (em direção ao Leblon). Só que eu fiquei a postos, porque tinha outro cliente para atender. Eles logo em seguida foram assaltados e tudo foi muito rápido. Ele segurou o bandido pelas pernas, mas o bandido conseguiu pular, fugindo pela pista, e ele ficou embaixo do ônibus", contou o funcionário em entrevista à Rádio CBN. O funcionário não quis se identificar. Esse não é o primeiro caso de turista atropelado ao ser assaltado na orla carioca. Em novembro de 2004, a cientista japonesa Yoshyko Magoshi, de 61 anos, foi esfaqueada por um grupo de adolescentes nas areias da Praia de Copacabana. Apavorada, ela correu em direção à Avenida Atlântica e foi atropelada. A cientista teve o intestino perfurado pela facada e foi operada no Hospital Municipal Miguel Couto. Yoshyko e o marido, o também cientista Jun Magoshi, haviam chegado na sexta-feira (12 de novembro) ao Rio e decidiram ir à praia à noite. As câmeras de segurança da orla não registraram o ataque, que ocorreu próximo ao mar.

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