SEVERINO SILVA/AGÊNCIA O DIA
SEVERINO SILVA/AGÊNCIA O DIA

Um dos tiros que atingiu estudante em escola do Rio partiu de arma de PM

Operação terminou com dois suspeitos executados e a menina Maria Eduarda, de 13 anos, morta a tiros no pátio do colégio onde estudava na zona norte do Rio

O Estado de S. Paulo

05 Abril 2017 | 19h46
Atualizado 05 Abril 2017 | 21h39

RIO - Um dos tiros que atingiram e mataram a estudante Maria Eduarda Alves Ferreira, de 13 anos, partiu da arma de um policial militar envolvido na ação. A operação terminou com dois suspeitos executados e a estudante morta a tiros no pátio da Escola Municipal Jornalista e Escritor Daniel Piza, em Acari, na zona norte carioca. A perícia já havia concluído que as balas que atingiram a menina eram de calibre 7.62. O laudo foi obtido pela GloboNews

De acordo com o documento, as balas que atingiram a menina acertaram primeiramente as grades da escola. Em uma foto, há 11 marcas de tiros no muro da instituição, próximo do local em que os dois traficantes já estavam dominados e, em seguida, foram mortos.

O momento em que os criminosos foram mortos pelos PMs, quando estavam inertes no chão, foi filmado. As imagens desmontaram a versão inicial do sargento David Centeno e do cabo Fabio Dias, do 41.º BPM, presos em flagrante pelo crime. Eles alegaram que reagiram depois que os traficantes “esboçaram reação”.



O delegado da Divisão de Homicídios André Leiras não se convenceu da versão dos PMs. “Conforme se percebeu na análise do vídeo, pode-se atestar que as vítimas estavam no chão, apresentando alguns sinais vitais, mas em momento nenhum pareciam esboçar reação que ameaçasse os policiais. O excesso restou patente”, escreveu no inquérito, ainda inconcluso e divulgado pela emissora. “Não há que se falar que os policiais militares agiram no estrito cumprimento do dever legal, pois em momento nenhum o ordenamento jurídico autoriza os agentes do Estado a ceifar a vida de criminosos que já estejam neutralizados.”

Os dois fuzis FAL e uma pistola, que estavam com os PMs, foram apreendidas pela polícia. Maria Eduarda tinha cinco marcas de perfuração, duas do lado direito do pescoço, duas nas nádegas (que podem ter sido feitas pelo mesmo tiro) e uma na perna. O exame balístico mostrou que um dos projéteis que atingiram a menina saiu de uma arma usada pelos PMs.

Rosilene Ferreira, mãe da estudante, disse nesta quarta que a filha estava em um intervalo da aula de Educação Física, quando aproveitou para beber água. “Agora eu quero justiça”, afirmou ela.

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