Fábio Motta
Fábio Motta

Um policial militar é assassinado no Rio a cada quatro dias

Só neste ano foram 36 militares mortos na cidade; comando da Polícia Militar atribui problema à falta de recursos

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

21 Maio 2016 | 18h57

RIO - A cada quatro dias um policial foi morto no Rio neste ano. Foram pelo menos 36 policiais militares e 3 civis, até 13 de maio. Do total de PMs, 10 estavam trabalhando e 26, de folga. No ano passado, de janeiro a novembro, 85 policiais morreram; 20 PMs em serviço. O crescente número de policiais assassinados levou à abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) pela Assembleia Legislativa para investigar as causas das mortes. 

A Secretaria de Segurança e a Polícia Militar anunciaram medidas para enfrentar o problema. Os dados de mortes em 2015 foram contabilizados pelo blog Pauta do Dia, que faz levantamento independente sobre violência contra policiais desde 2009, a partir de boletins médicos e informações repassadas pelos próprios policiais. As informações embasam a CPI.

Só nos primeiros oito dias de maio, seis policiais morreram em confrontos e assaltos. O Rio de Janeiro foi o Estado em que mais policiais foram mortos, apontou o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2015. O recrudescimento da violência contra policiais acontece a despeito da Lei Federal 13.142, sancionada no ano passado, que tornou crime hediondo e qualificado o assassinato de policiais no exercício da função ou em decorrência dela.

“É uma tragédia. O que está por trás é o modelo de segurança pública com base no confronto. A visão não é de controle da criminalidade, mas de eliminação do inimigo. As autoridades não se convencem de que esse modelo faliu. A polícia mata, morre e não tem o reconhecimento da população”, afirmou o deputado Paulo Ramos (PSOL), coronel reformado da PM fluminense e presidente da CPI. Ele se referia a comentário recente do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, sobre mortes de policiais. Beltrame alertou: “As pessoas que atirarem em policiais vão levar tiros também”. 

UPP social. Para o antropólogo Paulo Storani, ex-oficial do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e pesquisador da Universidade Cândido Mendes, o modelo de policiamento das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) não cumpriu o que prometeu porque “a polícia ficou sozinha no processo”. “Era para haver também a UPP social. Isso não aconteceu e houve o retorno do criminoso para suas áreas. Mas de uma forma mais violenta. E ele encontra nessas regiões o policial preparado para a polícia de proximidade, para mediar conflito. É um policial menos preparado para o confronto.”

A coordenadora das UPPs, major Pricilla Azevedo, nega que esteja ocorrendo “retorno dos criminosos”. “Infelizmente, há um problema social e áreas com maior incidência de confronto.” Em audiência na Assembleia, o chefe de gabinete do comandante-geral da PM, coronel Victor Yunes, atribuiu as dificuldades enfrentadas pela corporação à crise financeira que atinge o Estado. “Temos dificuldades porque não estamos recebendo os repasses necessários. Precisamos que os recursos sejam tornados disponíveis para melhorar o serviço.”

Para aumentar a segurança dos policiais, Beltrame anunciou que vai transferir para áreas de UPP cabines blindadas, que permitirão o monitoramento sem a exposição do PM. E os fuzis serão trocados por carabinas em áreas de grande aglomeração, para reduzir o número de balas perdidas.

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