Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

União da Ilha tem dificuldade para manobrar carro e assusta arquibancada

Problema foi similar ao enfrentado pela Paraíso do Tuiuti neste domingo, quando 20 pessoas ficaram feridas em um acidente; público se surpreendeu com reincidência

Roberta Pennafort, Mariana Sallowicz e Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2017 | 23h24
Atualizado 28 Fevereiro 2017 | 00h40

RIO - O segundo dia de desfiles na Marquês de Sapucaí foi iniciado com problemas num carro alegórico da União da Ilha, o que aprofundou o clima de apreensão deixado pelo acidente com uma alegoria do Paraíso do Tuiuti no domingo. A escola, que carnavalizou tradições e ritos de povos bantos, teve dificuldade para manobrar na entrada da avenida o seu quinto e penúltimo carro da apresentação, que era muito grande, e ele acabou ficando mais próximo do que deveria do setor 1. Fez-se um buraco na pista, o que pode resultar em perda de pontos para a Ilha.

O fim do desfile também foi tumultuado. O mesmo carro empacou na dispersão, foi empurrado e bateu sem força no estúdio de transmissão da TV Globo. A alegoria que veio na sequência não conseguia passar por conta disso.  Houve desespero de integrantes da escola para que se liberasse o caminho. Por fim, a Ilha conseguiu encerrar sua apresentação em cima do laço: cumpriu exatos 75 minutos, o máximo permitido a partir desse ano (até 2016, eram 82).

O público do setor 1 se surpreendeu com a reincidência – este tipo de problema não é comum no sambódromo. A plateia já havia sido pega de surpresa ao chegar e se deparar com a instalação de uma grade de reforço junto às arquibancadas. Foi a forma encontrada de proteger os espectadores caso outro acidente ocorresse. Mas bastou a União da Ilha iniciar sua apresentação, uma leitura poética dos ensinamentos da cultura africana sobre a passagem do tempo, para que o medo desse lugar à alegria.

O carnavalesco Severo Luzardo usou bem as cores da agremiação, azul, branco e vermelho, em fantasias e alegorias que fizeram alusão aos quatro elementos, terra, fogo, água e ar, a vulcões e mares. Atabaques na bateria de Mestre Ciça emprestaram tempero extra africano ao samba. À frente da comissão de frente, o coreógrafo Carlinho de Jesus puxou a escola cantando e sambando.

O acidente de domingo fora provocado por um problema no último carro do Tuiuti, que, desgovernado, imprensou pessoas contra a grade, esmagando-lhes os membros inferiores. Quem viu pela TV e foi ao setor 1 ontem custava a acreditar no que se passara. “Estamos todos com medo. Mas o negócio é ter fé em Deus”, disse a médica Mauricea de Santa, de 57 anos, instalada no ponto exato da acidente. “Uma pena que precise acontecer uma fatalidade para que melhorem a organização”, lamentou a ambulante Debora Mendonça, de 20 anos, outra espectadora presente no mesmo local do acidente.

O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba, Jorge Castanheira, abriu a Passarela do Samba pedindo uma oração para as vítimas deste domingo, e disse que visitou uma delas. Ele pretende visitar as outras junto com o presidente da Riotur, Marcelo Alves.

A camareira Ana Lucia Baldir, de 50 anos, não sabia que estaria justo no ponto do acidente.  "A gente fica assustado, com receio. Sei que foi um acidente e não vai acontecer outra vez, mas preferia ficar em outro lugar. Não tenho opção", lamentou. O setor é dos mais baratos da Sapucaí e costuma receber o público mais humilde. 

 

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