UFRJ/Divulgação
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Universitário é assassinado em assalto na zona sul do Rio

Alex Bastos estava em ponto de ônibus perto do câmpus da Praia Vermelha da UFRJ quando foi abordado; jovem teria reagido

Sergio Torres, O Estado de S. Paulo

09 Janeiro 2015 | 07h19

Atualizada às 20h18

RIO - Estudante de Biologia na Universidade Federal do Rio (UFRJ), Alex Schomaker Bastos, de 24 anos, foi morto com seis tiros na noite de quinta-feira, 8, ao supostamente reagir a um assalto, no ponto de ônibus em frente ao câmpus da Praia Vermelha, em Botafogo, na zona sul do Rio. O jovem se formaria na próxima segunda-feira.

Nesta sexta, investigadores da Divisão de Homicídios da Polícia Civil colheram imagens de câmeras de segurança na tentativa de encontrar os responsáveis pelo assassinato: dois homens, ainda não identificados.

Bastos tinha acabado de sair da aula e esperava o ônibus no ponto da Avenida General Severiano, quando, pouco depois das 21 horas, foi abordado pelos criminosos, cada um sobre uma motocicleta. Uma testemunha contou à polícia que um deles desceu do veículo e roubou a carteira e o celular do jovem. Quando o criminoso estava já em cima da moto para sair, Bastos teria, segundo a testemunha, “partido para cima do homem e o agarrado pela cintura”. O comparsa, então, disparou três vezes contra o estudante.

O homem que estava com os pertences de Bastos teria dito: “Mata logo”. E o assassino atirou outras três vezes.
Câmeras de vigilância de prédios na frente do ponto de ônibus gravaram os criminosos. Ambos usavam capacete. Segundo a Polícia Civil, a Divisão de Homicídios trabalha com a principal hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte). 

Bastos chegou ainda com vida ao Hospital Municipal Rocha Maia, que fica logo ao lado do local do crime. Ele foi transferido para o também municipal Miguel Couto, na Gávea, a 7 km, mas, pouco depois de chegar à unidade, não resistiu aos ferimentos e morreu. O corpo de Bastos será cremado neste sábado, às 11 horas, no Memorial do Carmo, no Caju. Ele era filho dos jornalistas Andrei Bastos e Mausy Schomaker. Ao comunicar amigos e parentes, no Facebook, o pai descreveu Bastos como “o jovem inteligente e bondoso que a violência do Rio de Janeiro matou”.

Homenagem. Os amigos marcaram uma mobilização em sua homenagem para domingo, às 9 horas, no câmpus da Praia Vermelha. “A morte dele não representa apenas um episódio destacado, mas expõe a fragilidade de nossas políticas de segurança pública e o descaso que temos com os programas de desenvolvimento social”, escreveram na página criada para o evento.

Moradores da região reclamam da falta de policiamento. Em nota, a Polícia Militar informou que há patrulhamento 24 horas por dia na região - moradores e estudantes, entretanto, negam que seja assim tão frequente.

Por causa do assassinato, de acordo com a PM, “está sendo planejado um reforço na área do câmpus e a alteração do ponto de baseamento das viaturas”. A PM não quis revelar qual será o novo ponto “por tratar-se de informação estratégica”.

Procurado pela reportagem, o secretário estadual de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, não se manifestou. Até as 20 horas desta sexta, a assessoria da UFRJ ainda não havia se pronunciado sobre a morte do aluno.

No Estado do Rio foram registrados 11 casos de latrocínio em novembro passado e outros 11 em outubro, segundo dados do Instituto de Segurança Pública, ligado ao governo estadual. Em setembro haviam sido 7 casos no Estado. No município do Rio ocorreram 4 latrocínios em novembro, 6 em outubro e 2 em setembro. Ainda não há dados a respeito do mês de dezembro.

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