Vazamento de informação prejudica operação em favela no Rio

Segundo o secretário de Segurança Pública, responsável por dedurar ação será expulso da corporação

Fabiana Cimieri, do Estadão,

03 de agosto de 2007 | 18h28

O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, disse nesta sexta-feira, 3, que o vazamento de informações "prejudicou muito" o trabalho da polícia durante a operação feita na quinta-feira, na favela da Rocinha, na zona sul do Rio. Ele se reuniu com os comandantes da operação na tarde desta sexta e pediu empenho na identificação dos culpados, para expulsá-los da corporação.  "É um problema inadmissível. Essa pessoa colocou em risco o sucesso e a vida de centenas de policiais e cidadãos por causa de uma atitude covarde. Vou perseguir a autoria e expulsar essas pessoas da corporação", disse Beltrame. Segundo ele, foram "seis meses de investigação jogados fora", já que a casa que funcionaria como paiol do tráfico estava vazia quando a polícia chegou. Beltrame, no entanto, disse ter inteira confiança no serviço de inteligência. "Não foi a inteligência que vazou, foi na ponta". Na tarde desta sexta, ele se reuniu com os comandantes da operação para saber como e quando as informações foram passadas à tropa. CPI O secretário passou a manhã na Assembléia Legislativa do Rio, onde foi ouvido na CPI que investiga as circunstância das mortes de policiais no Estado. Desde o início do ano, 66 foram mortos. O comandante da Polícia Militar, Ubiratan Ângelo, que acompanhava o secretário, disse que assumiram o Estado numa situação de confronto, mas que agora as mortes estão diminuindo. "Janeiro e fevereiro foram meses marcados pelo confronto, só pudemos colocar a nossa política de segurança depois, antes estávamos reagindo aos ataques dos bandidos", explicou o coronel Ângelo. Segundo Beltrame, a estratégia da polícia é a de ir aonde estão o que ele chama de "núcleos de violência" com um efetivo maior. "Isso dá mais segurança para o policial e para a população", explicou. Além disso, a polícia investiu na compra de novos coletes, rádios criptografados e recebeu carros do governo federal, disse ele, acrescentando que essas ações contribuíram para a diminuição das mortes de policiais nos últimos meses. O secretário reclamou da falta de efetivo. Na capital, 7 mil homens fazem o policiamento ostensivo, e, segundo Beltrame, o adequado seriam pelo menos 15 mil. No primeiro dia do mandato, o governador Sergio Cabral Filho assinou um decreto determinando o retorno à corporação dos policiais cedidos a outras instituições, como a Assembléia Legislativa, o Ministério Público e o Tribunal de Justiça, ou órgãos dos governo. Só na Secretaria de Administração Penitenciárias estão 2.100 policiais militares. Passados oito meses, menos da metade deles retornaram. "Nós precisamos de ostensividade. Enquanto não pudermos fazer novos concursos, queremos a presença da Força Nacional, do Exército, da Marinha ou da Aeronáutica", afirmou Beltrame. "Qualquer policial que não esteja na rua está fazendo falta." Ele não descartou a possibilidade de o Estado ceder alguma de suas instalações para alojar a força federal.

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