"Vazamento de informações da caixa preta da TAM é ilegal"

Tenente Mauro Granda afirma que violação tornará o Brasil 'desacreditado' e prejudicará futuras investigações

Jacqueline Farid, Estadão

01 de agosto de 2007 | 21h04

O vazamento de informações da caixa-preta do Airbus da TAM é ilegal e tornará o Brasil "desacreditado", segundo avalia o tenente brigadeiro-do-ar e consultor Mauro Gandra. O argumento é que o Brasil é signatário da Convenção de Chicago, de 1944, na qual o Anexo 13, que trata de segurança de vôo, diz que os dados obtidos na investigação de um acidente aeronáutico devem ser sigilosos. Para ele, "isso é muito grave" no que diz respeito à qualidade da administração da segurança de vôo no Brasil. Para Gandra, que ontem fez palestra para empresários no Rio, o vazamento poderá prejudicar investigações futuras de acidentes no País. Segundo ele, pilotos, controladores e demais testemunhas que podem vir a contribuir nas investigações se sentirão intimidados com a perspectiva de que seus depoimentos sejam divulgados. "É um desrespeito à lei brasileira", disse ele.  No entanto, ele não acredita que o vazamento prejudicará o sucesso da investigação sobre o acidente. Gandra, que fez palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro, espera que as respostas finais sobre a causa da tragédia sejam dadas em 10 ou 12 meses.  Gandra lamentou não apenas a divulgação das informações no caso do Airbus, mas também anteriormente, no processo de esclarecimento sobre as causas do acidente com um vôo da Gol, em setembro do ano passado. "Na verdade, o divisor de águas da crise aérea é o problema dos controladores e a dicotomia entre a investigação de um acidente e um inquérito policial", afirmou. O brigadeiro disse também lamentar a extinção do Ministério da Aeronáutica e a criação da Infraero, ANAC e do Ministério da Defesa, e lamentou o que chamou de "esquartejamento" da aviação civil brasileira. "Foi feita uma operação Tiradentes: esquartejaram a aviação civil brasileira". Segundo ele, "conseguimos destruir o único modal que funcionava nesse País, que é o modal aéreo".  Para Gandra, "a primeira providência para o caos aéreo já foi tomada, a designação do ministro Jobim (Nelson Jobim, recém-nomeado ministro da Defesa) é um fato de grande importância".  O brigadeiro sugere que, enquanto o processo de solução da crise está em andamento, seja determinado um secretário-executivo para o Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), que seria uma espécie de interlocutor entre o Ministério da Defesa e o próprio Conselho, para evitar intervalos muito grandes nas reuniões.  Ele disse também que "não teria dificuldade em concordar" com a realização de uma auditoria externa sobre o setor aéreo no País".

Tudo o que sabemos sobre:
vôo 3054caixa-preta

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.