Ivo Prates/Estadão
Ivo Prates/Estadão

Vazão menor da barragem da usina de Santa Cecília já afeta empresas

Reservatório do Paraibuna, o maior do Rio Paraíba do Sul, que ficou no volume morto entre 21/1 e 8/2, está em 1,7% da sua capacidade

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

28 Agosto 2015 | 11h21

RIO - A vazão da barragem da usina hidrelétrica de Santa Cecília, em Barra do Piraí, que abastece a região metropolitana do Rio, teve a mais drástica redução da história - passou a liberar 110 m3/s desde esta quarta-feira, 26. Antes da crise hídrica, esse volume era de 190 m3/s.

O reservatório do Paraibuna, o maior do Rio Paraíba do Sul, que ficou no volume morto entre 21 de janeiro e 8 de fevereiro, está em 1,7% da sua capacidade. Indústrias já foram afetadas. O governo fluminense, porém, afasta risco de desabastecimento.

A estiagem prolongada agravou a situação do Paraibuna. Há um mês, o nível do rio estava em 5,5% e o Comitê de Integração da Bacia do Paraíba do Sul (Ceivap) previa reduzir a vazão de Santa Cecília até outubro, como forma de prevenir o abastecimento. 

A medida precisou ser tomada antes. Parte da água liberada por esta barragem é captada pelo sistema Guandu, rio artificial, que garante o abastecimento de 9 milhões de pessoas. Com a redução da vazão de Santa Cecília, o Guandu passou a captar apenas 75m3/s - o restante segue a calha principal do Paraíba do Sul. 

Antes da crise, a captação no sistema Guandu era de 119 m3/s. A Companhia Estadual de Águas e Esgoto (Cedae) precisou intensificar as medidas de controle para garantir a qualidade da água.

"Estamos passando por um momento muito crítico. É o pior momento histórico e não é privilégio do Rio de Janeiro. Toda a Região Sudeste está sofrendo. Estamos em regime de operação extremamente restrito. É a menor vazão da história da Cedae, do ponto de vista de captação", afirmou o secretário de Estado do Ambiente, André Corrêa, ao Estado. 

Ele, no entanto, afastou o risco de racionamento. "Não estamos na iminência de racionamento. A comunicação tem que ser muito clara ou as pessoas vão começar a armazenar água. E aí agrava a situação". 

As indústrias na foz do Rio Guandu são as mais afetadas, informou Corrêa. Houve várias interrupções na captação de águas nos últimos dias por essas empresas - somadas, as paradas chegariam a um dia sem produção. De acordo com o secretário, a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) está entre as mais afetadas.

 

"Estamos priorizando o consumo humano. Se não tivéssemos tomado essas medidas, estaríamos completamente secos", afirmou. 

Em nota, a CSA informou que por causa de "gargalos na produção em função da crise hídrica" teve uma redução de 5% na produção de placas de aço nos nove primeiros meses do ano fiscal 2014/2015, em relação ao período anterior. Para minimizar o problema, a indústria mudou o ponto de captação de água para 2,2 quilômetros rio acima. A CSA informou ainda que reutiliza 96% da água necessária às operações. Também reduziu o consumo e a captação da água em 20% desde o início do ano e aumentou em 50% a capacidade de seus reservatórios de água bruta.

De acordo com a secretária do Ceivap, Aparecida Vargas, a intenção é reduzir ainda mais a captação no Guandu e baixar para 70 m3/s. "A Cedae tem a maior estação de tratamento de água do mundo. Até agora conseguiu captar. Queremos ver se ela consegue captar se a vazão baixar ainda mais". 

Aparecida explicou que a redução da vazão permitiu a economia de 1,5 bilhão de litros de água. "Isso equivale a quase dois reservatórios do Paraibuna", comparou. Ela também ressaltou que não há risco de desabastecimento. "O volume morto do Paraibuna é diferente do Cantareira. É volume morto para o setor elétrico, porque a água fica abaixo das turbinas, mas a quantidade é suficiente para o abastecimento humano".

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