Wilton Júnior / Estadão
Wilton Júnior / Estadão

Velório de Marielle e Anderson é acompanhado por milhares de apoiadores do Rio

Velório foi restrito aos familiares e amigos das vítimas, mas uma multidão se aglomerarou ao redor da sede da Câmara do Rio para homenageá-los; vereadora foi sepultada no cemitério São Francisco Xavier, na zona norte

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

15 Março 2018 | 16h45

RIO - O corpo da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, morta na noite de quarta-feira (14) no centro do Rio, saiu por volta das 16 horas desta quinta-feira, 15, do Palácio Pedro Ernesto, a sede da Câmara Municipal do Rio, onde estava sendo velado desde as 14h30. O enterro aconteceu pouco antes das 18 horas no cemitério São Francisco Xavier, no Caju, na zona norte da cidade.

A cerimônia, presenciada por centenas de pessoas, ocorreu sob forte comoção. O enterro foi acompanhado por líderes de movimentos sociais e políticos como a deputada federal Benedita da Silva (PT), o presidente da Câmara Municipal do Rio, vereador Jorge Felippe (MDB), e Guilherme Bolos, líder do movimento dos sem-teto (MTST) e pré-candidato à Presidência pelo PSOL, além de vários outros correligionários de Marielle.

No cemitério, um religioso comandou uma oração e fez um sermão antes do sepultamento, que a imprensa acompanhou de longe, a pedido dos familiares da vereadora.

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O corpo do motorista Anderson Gomes, que acompanhava a vereadora e também foi morto, também foi velado na sede do Legislativo municipal e levado ao cemitério de Inhaúma, na zona norte, acompanhado por familiares.

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A cerimônia do velório foi restrita aos familiares e amigos das vítimas, mas milhares de pessoas se aglomeraram ao redor do Palácio Pedro Ernesto, na Cinelândia (região central do Rio), para homenagear a vereadora.

Desde o meio-dia, representantes de entidades da sociedade civil fizeram discursos cobrando uma investigação séria e rápida do caso. Ao final de cada discurso o nome de Marielle era gritado, seguido da palavra "presente". O enterro estava previsto para as 16 horas, mas deve atrasar.

O caso

O assassinato da vereadora na noite desta quarta-feira pode estar ligado à sua militância política. Nascida no Complexo da Maré, conjunto de favelas da zona norte do Rio, Marielle, de 38 anos, tinha sua atuação pautada pela defesa de negros e pobres e denunciava a violência contra essa população. Há oito dias, Marielle, que acompanhava na condição de vereadora a intervenção federal, como forma de coibir abusos das Forças Armadas e da polícia a moradores de comunidades, recebeu denúncias envolvendo PMs que patrulham a Favela de Acari, na zona norte do Rio.

Moradores contaram, na primeira reunião do Observatório da Intervenção, no Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) da Universidade Candido Mendes, que dois homens foram assassinados por policiais e tiveram os corpos jogados num valão. Segundo esses moradores, a PM vem se sentindo "com licença para matar" por conta da intervenção.

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