Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Viúva de Amarildo pode ser indiciada por abandono dos filhos

Elizabeth Gomes da Silva desapareceu por 10 dias; para advogado, é uma tentativa de "criminalizar a família" do pedreiro morto por PMs

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2014 | 12h18

RIO - A diarista Elizabeth Gomes da Silva, viúva de Amarildo Dias de Souza, pedreiro morto por policiais militares na Rocinha há um ano, pode ser indiciada pela polícia por abandono material dos filhos. Ela desapareceu por 10 dias e deixou os três filhos menores, de 7, 11 e 13 anos, em casa, na favela da zona sul do Rio de Janeiro, com os irmãos mais velhos. Usuária de drogas e álcool, Elizabeth estava deprimida e foi encontrada em Cabo Frio, na Região dos Lagos no último dia 9.

O advogado dela, João Tancredo, negou que ela tenha cometido o crime de abandono material, que se caracteriza por "deixar, sem justa causa, de prover a subsistência do cônjuge, ou de filho menor de 18 anos ou inapto para o trabalho, não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada".

A pena prevista é de 1 a 4 anos de prisão e multa de uma a dez vezes o maior salário-mínimo vigente no País.

"Segundo a família, ela saiu de casa desorientada, mas deixou o dinheiro da pensão que recebe e o equivalente ao Bolsa Família com os filhos maiores de idade. O que a polícia quer é criminalizar a família do Amarildo, dizer que são todos bandidos, e que ele merece ter desaparecido mesmo", afirmou o advogado.

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