Mico imobiliário por décadas, terreno baldio na Avenida Sumaré vira escola em tempo recorde

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Mico imobiliário por décadas, terreno baldio na Avenida Sumaré vira escola em tempo recorde

Edmundo Leite

28 de fevereiro de 2020 | 17h10

A escassez de terrenos para novas construções em São Paulo fez com que um histórico mico imobiliário da cidade conseguisse ser comercializado e rapidamente transformado no local de um moderno edifício escolar.

Fotos: Edmundo Leite/Estadão

Erguido em apenas alguns meses, o edifício da nova unidade da escola Pueri Domus ocupa um outrora terreno baldio de tempos imemoriais que até pouquíssimo tempo era um grande barranco com mato na Avenida Sumaré, na zona oeste da cidade.

Localizado numa encosta da avenida e na subida da rua Ministro Godói, o terreno ficou por décadas à venda. Desde a quinta-feira, 27 de fevereiro, alunos já frequentam a nova escola, dando início a uma nova história ao local que parecia ser uma daquelas paisagens imutáveis da cidade.

Apesar de estar entre os valorizados bairros de Perdizes e Sumaré, a venda do terreno nunca prosperava por causa do alto investimento que uma nova construção exigia em terraplanagem, fundações e um outro muro de arrimo em reforço ao que já existia para sustentar as casas e um pequeno prédio existentes na rua de cima.

As dificuldades para a sua utilização eram várias. Em 2010, um deslizamento de terra após fortes chuvas afetou algumas casas que faziam fundo com o terreno. O zelador que morava num trailer no local escapou por pouco de ser soterrado.

Com investimento milionário do grupo SEB, que controla a escola, a construção do prédio no terreno baldio micado deslanchou em menos de um ano, conforme mostra a sequência de fotos mais abaixo. Em abril de 2018, ainda existia no local a placa “Vende” da imobiliária Valentina Caran, que há anos tentava negociar o terreno sem sucesso. Em janeiro de 2019, uma outra placa anunciava “Projeto e construção aprovada” com os números dos álvaras de aprovação e outras questões legais.

Em abril do ano passado os trabalhos de desbastamento do terreno ainda começavam, com os primeiros tratores escavando toneladas de terra que encheriam centenas de caminhões. Em agosto sequer existiam as estruturas metálicas do edifício inaugurado nesta quinta-feira pós-carnaval.

Vende-se

Fotos: Edmundo Leite/Estadão e Google Maps

Antes da Lei Cidade Limpa, o terreno era capitalizado como um ponto cheio de outdoors publicitários. Um sem-teto chegou a chegou a erguer uma barraco atrás das grandes placas de propaganda. Além das placas, outra marca histórica do local eram as propagandas eleitorais pintadas irregularmente nos muros durante anos.

Bica da Sumaré – Nascentes de água também eram outra característica do terreno. Na região existia um córrego que foi canalizado para a construção da avenida nos anos sessenta. Por causa da água abundante no local proveniente de bicas, durante anos motoristas de táxis e de outros veículos paravam ali para lavar seus carros quando o tráfego na avenida ainda era pequeno e não havia faixa exclusiva para ônibus. Nos anos setenta, o ponto de lavagem de carros aberto por um senhor conhecido como o “Velho” ficaria conhecido como a “Bica da Sumaré”.

Até o início da construção da escola as minas d’água que brotavam junto ao muro do terreno também eram o chuveiro, tanque e torneira para alguns moradores de rua que ali paravam para lavar suas roupas, tomar banho, se refrescar no calor e matar a sede. Vendo o esforço dos moradores de rua, alguns vizinhos da região doavam banheiras de hidromassagem usadas para ajudar no empenho dos sem-teto para manter-se limpos. Um funcionário da sub-prefeitura contou ao jornal em 2007 que mais de dez jacuzzis tinham sido retiradas do local.

Fotos do Acervo Estadão mostram o vale em frente ao terreno alagado nos anos sessenta antes de avenida existir. Na nova construção é possível ver grandes canaletas nas laterais para escoamento de água.

Veja mais detalhes da  história do local na  galeria de fotos.

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