Ministro da educação ataca Cazuza por frase anônima popularizada pelo Casseta

Edmundo Leite

02 de fevereiro de 2019 | 18h46

A entrevista do ministro da educação nas páginas amarelas da revista Veja dessa semana revelou um pouco mais do que se passa na cabeça de Ricardo Vélez Rodriguez. Além de ver o fantasma marxista rondando a cabeça dos jovens brasileiros, Vélez Rodriguez atacou Cazuza atribuindo ao cantor e compositor uma frase de autoria desconhecida nunca associada ao artista e que foi popularizada pelos humoristas do Casseta e Planeta nos anos 80: “Liberdade não é o que pregava Cazuza, que dizia que liberdade é passar a mão no guarda. Não! Isso é desrespeito à autoridade, vai para o xilindró. Nossas crianças e adolescentes devem ser formados na educação para a cidadania, que ensina como agir de acordo com a lei e com a moral.”

Ao atribuir a frase a Cazuza, foi suprimida a palavra ‘bunda‘, essencial na frase original para fazer a graça que a transformava em chacota. “Liberdade é passar a mão na bunda do guarda”, dizia o meme impresso na revista ‘Casseta Popular’ e que depois se tornou uma das camisetas de sucesso vendidas pela publicação. Ainda que Cazuza tenha dito a frase em algum momento da vida e o ministro tenha presenciado ou tenha esse registro ou citação para comprovar, jamais foi associada ao cantor.

Mais que uma gafe ou difamação contra um dos grandes artistas brasileiros, a frase de Ricardo Vélez Rodriguez mostra o ridículo do seu pensamento ao complementar com a ameaça “isso é desrespeito à autoridade, vai para o xilindró.” Ou seja, se acontecer mesmo o que propõe a maior autoridade da educação no País, mais guardas estarão sujeitos à liberdade universal dos presos que não tem nada a perder de zombar de seus carrascos, como ensinou o cartunista Glauco numa de suas memoráveis tirinhas:

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