Após denúncia, idosa com ELA recebe cuidados do SUS em GO

Após denúncia, idosa com ELA recebe cuidados do SUS em GO

Depois de uma semana de visitas constantes a postos de atendimento e recusas de internação para procedimentos cirúrgicos de emergência, Zilda Maria Rodrigues Sousa, de 77 anos, diagnosticada com Esclerose Lateral Amiotrófica há quase 2 anos, deu entrada no hospital para ser submetida a uma grastostomia.

Luiz Alexandre Souza Ventura

11 de fevereiro de 2015 | 15h58

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Zilda Maria Rodrigues Sousa recebe ajuda de sua filha Luciana Rodrigues. Foto: Arquivo Pessoal

Zilda Maria Rodrigues Sousa recebe ajuda de sua filha Luciana Rodrigues. Foto: Arquivo Pessoal

“A paciente Zilda Maria Rodrigues Sousa foi internada às 21h de ontem (10/02) no Hospital Alberto Rassi – Geral de Goiânia (HGG), onde está hospitalizada para realização de uma gastrostomia. Segundo avaliação médica, esse era o atendimento mais urgente do qual ela necessita. Logo após, ela será encaminhada para tratamento da ELA por equipe multidisciplinar do Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER). O HGG e o CRER são unidades da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás”.

A resposta foi enviada pela secretaria de Saúde de Goiás para a Associação Pró-Cura da ELA por Twitter nesta terça-feira, após uma semana de peregrinação da família por unidades do SUS em Gurupi (TO) e Senador Canedo (GO). O caso foi denunciado pelo blog Vencer Limites.

“A Associação sediada em Brasília, tomou conhecimento da situação no dia 8 de fevereiro, por meio dos familiares de Zilda. Tanto a UPA quanto os Centros de Saúde recusaram o atendimento médico porque o cartão do SUS da idosa não fora registrado no Estado de Goiás. E que o atendimento na atenção básica será garantido por meio de ação judicial. Justificaram também que a paciente será atendida quando tiver com ‘todos os sinais vitais alterados’. A última pressão feita pela associação foi de que o próximo documento a ser recebido seria um atestado de óbito”, diz a presidente da Pró-Cura da ELA, Sandra Mota.

Em nota enviada ao blog Vencer Limites, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás informa que “quanto a traqueostomia, a avaliação médica não indicou ser adequada no momento por causa das condições clínicas da paciente. Em um momento posterior, será feita uma segunda avaliação. Logo após passar pelos procedimentos urgentes, ela será encaminhada para tratamento da ELA por equipe multidisciplinar do Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER)”.

No mesmo e-mail, a secretaria afirma ainda que “a paciente foi encaminhada de forma errada pelo município, mas assim que a Secretaria de Estado teve conhecimento da situação tomou as providências para que ela tivesse um atendimento adequado”.

Zilda Maria Rodrigues Sousa foi internada no Hospital Alberto Rassi - Geral de Goiânia (HGG). Foto: Reprodução

Zilda Maria Rodrigues Sousa foi internada no Hospital Alberto Rassi – Geral de Goiânia (HGG). Foto: Reprodução

A Prefeitura de Senador Canedo, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, enviou nota por e-mail, informando que “a família da paciente buscou atendimento na UPA – Unidade de Pronto Atendimento, para que a mesma fosse encaminhada para o serviço de Cirurgia Geral para realização de procedimento de gastrostomia. Como o município possui o profissional cirurgião geral, mas não realiza o procedimento, houve a necessidade de regular a vaga para execução do procedimento, por três dias consecutivos (04/02/2015, 05/02/2015 e 06/02/2015), através do SISREG (Sistema de Regulação). A vaga no município de Goiânia ou Aparecida de Goiânia, conforme pactuação, não obtendo êxito, devido a regulação classificar o procedimento como eletivo. No momento estamos aguardando a liberação da vaga por não se tratar de procedimento classificado como urgência.

Na Unidade de Saúde da Família Boa Vista, setor que reside a filha da paciente, a mesma foi acolhida pela equipe e após a avaliação da médica de plantão foi encaminhada para os atendimentos necessários (neurologia e fonoaudiologia). Foi também agendado pela Agente Comunitário de Saúde, uma visita domiciliar com o médico da equipe mensalmente.

O município tem o conhecimento da Lei 8080/1990 e em nenhum momento foi negado a família o atendimento devido o Cartão SUS ser de outra localidade. Apesar de termos recebido informações que a paciente buscou o município apenas para tratamento, sendo de responsabilidade da sua localidade de residência ter encaminhado a mesma conforme as normas do SUS”.

A Prefeitura de Gurupi (TO) não se pronunciou sobre o caso.

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