Bolsonaro afirma que educação inclusiva “nivela por baixo”

Bolsonaro afirma que educação inclusiva “nivela por baixo”

Presidente falou sobre a Política de Educação Especial que segrega alunos com deficiência e foi suspensa pelo STF. Especialista diz que é simplista pensar que a deficiência impede o aprendizado. No Brasil, mais de 90% dos estudantes com deficiência estão em escolas regulares.

Luiz Alexandre Souza Ventura

07 de janeiro de 2021 | 10h56

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Foto da primeira-dama Michelle Bolsonaro e do presidente Jair Bolsonaro juntos, olhando para a câmera e sorrindo, fazendo 'i love you' (eu amo você) com as mãos na língua de sinais. Crédito: Reprodução.

Descrição da imagem #pracegover: Foto da primeira-dama Michelle Bolsonaro e do presidente Jair Bolsonaro juntos, olhando para a câmera e sorrindo, fazendo ‘i love you’ (eu amo você) com as mãos na língua de sinais. Crédito: Reprodução.


O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, 6, em fala a apoiadores no Palácio do Planalto, que a educação inclusiva “nivela por baixo” e que a presença de alunos com e sem deficiência na mesma classe prejudica toda a turma.

A declaração foi uma resposta a uma mulher, que se apresentou como professora e reclamou da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender o Decreto Federal nº 10.502, de 30 de setembro de 2020, que criava a Política Nacional de Educação Especial: Equitativa, Inclusiva e com Aprendizado ao Longo da Vida.

“O que acontece na sala de aula: você tem um garoto muito bom, você pode colocar na sala com melhores. Você tem um garoto muito atrasado, você faz a mesma coisa. O pessoal acha que juntando tudo, vai dar certo. Não vai dar certo. A tendência é todo mundo ir na esteira daquele com menor inteligência. Nivela por baixo. É esse o espírito que existe no Brasil”, disse Bolsonaro.




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No Brasil, entre 92% e 94% dos estudantes com deficiência estão matriculados em escolas regulares, a maioria da rede pública.

“É muito simplista pensar que, por causa da deficiência, o aluno não aprende”, diz Carolina Videira, fundadora da Turma do Jiló, associação que implementa programas de educação inclusiva em escolas públicas. “O problema não é de aprendizagem, mas de ensinagem. Precisamos valorizar, dar melhor formação e ferramentas ao professor para ele garantir que nenhum aluno fique para trás”, defende a especialista.

Um estudo conduzido ao longo de três anos pelo Centro de Ensino, Pesquisa e Inovação (CEPI) do Instituto Jô Clemente (IJC) comprovou que alunos com deficiência intelectual têm desenvolvimento superior, ganhando mais independência e autonomia, quando estudam em escolas regulares, na comparação com aqueles que frequentam exclusivamente as escolas especiais.

A pesquisa acompanhou 109 alunos com deficiência intelectual. Desse grupo, 62 foram para a escola regular e 47 para escolas especiais. Por meio de avaliações e entrevistas com professores, foram observados o desenvolvimento cognitivo, a comunicação, a sociabilidade e outros critérios.


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