POLICIA MILITAR-MG
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'Atirador queria matar o pastor da igreja em Paracatu', diz irmão de vítima

Rudson Aragão Guimarães estava afastado da Igreja Batista Shalom há cerca de um mês por comportamento agressivo; PM informou que o atirador sofria de problemas psiquiátricos

Ana Paula Niederauer, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2019 | 16h30
Atualizado 23 de maio de 2019 | 12h04

SÃO PAULO - O atirador da Igreja Batista Shalom, Rudson Aragão Guimarães, de 38 anos, que matou quatro pessoas na noite desta terça-feira, 21, em Paracatu (MG), tinha objetivo de tirar a vida do pastor Evandro Rama, segundo contou ao Estado o irmão de uma das vítimas. Guimarães matou a ex-namorada a facadas em uma residência e, em seguida, foi até a igreja, onde atirou contra três pessoas. 

O analista de patrimônio, Geraldo Martins de Melo, de 38 anos, irmão de Marilene Martins Melo, de 52 anos, uma das vítimas da tragédia, contou que Guimarães foi bloqueado de um grupo de WhatsApp da igreja, há cerca de um mês, por mal comportamento e por isso queria se vingar.

"Ele chegou ao local por volta das 19 horas, arrancou o portão, passou por uma porta de vidro e entrou pelo salão da igreja chamando pelo nome do pastor. Ele gritava que queria matar o pastor: 'se você não aparecer aqui, vou começar a matar pelo seu pai'. E foi o que ele fez", explicou. 

Melo contou que Guimarães era conhecido da família, mas que, com o passar dos anos, os familiares se distanciaram porque ele tomou outros rumos. " Ele cresceu conosco, mas aos poucos começou a trilhar por caminhos tortos. Nos distanciamos justamente porque ele era 'bagunçado' aqui na cidade", disse.

Guimarães prestou serviço militar obrigatório como soldado no Comando da Aeronáutica, mas, segundo o órgão, desde 2003 não pertence mais ao efetivo. 

Segundo Melo, Marilene tinha a função de acolher e orientar os fiéis. "Minha irmã tentou acalmá-lo. Mas ele estava muito agressivo e atirou em uma fiel e, na sequência, pegou Marilene como refém. Não obedeceu a ordem da polícia e deu um tiro na nuca dela", disse.

Policiais militares atiraram contra Guimarães com um fuzil - o disparo o acertou na clavícula. Ele foi internado o Hospital Municipal de Paracatu (HMP), passou por cirurgia e seu estado saúde é estável, sem previsão de alta da unidade. 

Atingido no pé, o pastor Evandro Rama está internado na enfermaria cirúrgica do HMP com quadro clínico estável.

Distúrbio

O tenente coronel Luiz Magalhães, do 45º Batalhão da Polícia Militar de Paracatu, disse nesta quarta-feira, 22, que o assassino tinha problemas psiquiátricos e consta registro na polícia por tráfico de drogas. "Os relatos que colhemos de alguns frequentadores da igreja indicam que Rudson apresentava algum distúrbio psiquiátrico. Segundo os fiéis, ele tinha alucinações, comportamento agressivo e nos últimos tempos andava muito insatisfeito por ter sido retirado de alguns trabalhos da igreja", explica.

Em nota, a prefeitura municipal de Paracatu lamentou as mortes e decretou luto oficial de três dias.

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