Matheus Seimetz/Especial para o Estadão
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Velório das vítimas de ataque a creche em Saudades reúne mais de mil pessoas

Bombeiros e policiais participaram do cortejo fúnebre das três crianças e duas funcionárias mortas em unidade infantil

Luis Lopes, Matheus Seimetz e Giba Bortese, Especiais para o Estadão

05 de maio de 2021 | 11h04
Atualizado 06 de maio de 2021 | 11h05

SAUDADES (SC) — Os corpos das cinco vítimas do ataque à creche Pró-Infância Aquarela nesta terça-feira, 4, foram velados no Módulo Esportivo, bairro Lage de Pedra, em Saudades, na madrugada desta quarta-feira, 5. Mais de mil pessoas prestaram homenagens, e mensagens de solidariedade se multiplicam pela cidade, que fica no oeste de Santa Catarina.

A cidade está em luto pela perda das cinco vítimas do ataque, que resultou na morte de três crianças e duas funcionárias da creche. Uma criança de 1 ano e 9 meses segue internada na UTI Pediátrica do Hospital Regional do Oeste, em Chapecó, e o estado de saúde dela é considerado estável.

Sepultamento: dor, tristeza e revolta

Por volta das 11h, o cortejo fúnebre partiu do ginásio e rumo ao cemitério municipal de Saudades, onde foram sepultadas as vítimas. Dor, tristeza e revolta foram os principais sentimentos da população que acompanhou os enterros.

Dois carros funerários levaram os corpos. Em um deles, estavam as duas professoras e no outro, as três crianças, que eram coleguinhas de sala. Participaram do cortejo ainda viaturas dos bombeiros e polícias. Familiares, amigos e comunidade foram a pé e carregaram coroas e flores para o cemitério.

A celebração de corpo presente foi presidida pelo Bispo Dom Odelir Magri, da Dioceze Santo Antônio, de Chapecó. Em alguns momentos, especialmente na hora de falar sobre as crianças, a voz do bispo ficou embargada. Odelir entregou uma vela para familiares das vítimas, para representar a luz divina.

Municípios da região decretam luto oficial

"Nenhum pai merece passar por isso. Eu tenho um filho com um pouco mais de 1 ano, e consigo ter uma noção do que esses pais estão passando neste momento. Estamos todos arrasados com a situação", disseo prefeito de Saudades, Maciel Schineider. O município decretou luto oficial por três dias.

Outros municípios da região, Pinhalzinho e Modelo, também decretaram luto. Prefeitos estão estudando uma forma de melhorar o sistema de segurança das escolas municipais. Em Serra Alta, o prefeito Rafael Marin anunciou que a Polícia Militar intensificará rondas perto das escolas. Ainda de acordo com Marin, a prefeitura já está encaminhando a compra de equipamentos de videomonitoramento para ampliar a segurança nos espaços escolares.

O crime em Saudades

Preso em flagrante pelo crime, Fabiano Kipper Mai, de 18 anos, está em estado grave de saúde após desferir golpes contra o próprio pescoço, segundo testemunhas. O delegado regional de Polícia Civil de Chapecó, Ricardo Casagrande, diz que a investigação está a cargo da Polícia Civil da Comarca de Pinhalzinho, que aguarda a liberação médica para colher o depoimento do jovem, internado no Hospital Regional do Oeste em Chapecó.

A polícia diz que Mai foi à creche Pró-Infância Aquarela, no centro da Saudades, de bicicleta, por volta das 10h. Ao entrar na escola, ele começou a atacar uma professora de 30 anos que, mesmo ferida, correu para uma sala onde estavam quatro crianças e uma funcionária da escola, na tentativa de alertar sobre o perigo. O rapaz, então, atacou os alunos e a funcionária da escola. Duas meninas de menos de dois anos e a professora morreram no local. Outra criança e a funcionária morreram no hospital.

Segundo a polícia, a ação foi planejada. “O crime foi premeditado, ele chegou de bicicleta na creche, com uma mochila nas costas, uma professora o abordou e ele começou a atacá-la com golpes de facão nas costas. O jovem seguiu a professora até uma sala onde atacou também a outra funcionária auxiliar e mais quatro crianças com menos de dois anos", afirmou delegado Jerônimo Marçal Ferreira, que também acompanha o caso, a uma rádio. 

"Ele ainda está em uma situação precária de saúde. Estou monitorando a situação dele. Assim que for possível eu vou interrogá-lo, se for possível, se ele sobreviver", diz Ferreira. 

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