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Dois em cada três jovens acreditam que internet aumenta bullying e amplia isolamento

Pesquisa Juventude e Conexões ouviu 1.440 pessoas entre 15 e 29 anos com acesso frequente à rede. 'Prejuízo nas relações sociais', diz psicóloga sobre dados. Você acha que a internet ajuda ou prejudica as relações? Vote na enquete

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2019 | 17h23

Dois em cada três jovens acreditam que a internet aumenta a prática de bullying e amplia o isolamento. Para 57%, ela agrava quadros de ansiedade. Os dados são da terceira edição da pesquisa Juventudes e Conexões, realizada pela Rede Conhecimento Social em parceria com o Ibope Inteligência a pedido da Fundação Telefônica Vivo.

O levantamento ouviu 1.440 jovens entre 15 e 29 anos de todas as classes sociais e regiões do País entre julho de 2018 e junho de 2019. Para construção do estudo, foram realizados workshops, oficinas e grupos de discussão com a participação de pesquisadores e jovens consultores. O perfil dos entrevistados era de pessoas que tiveram acesso à internet semanalmente nos últimos três meses.

"O comportamento é o eixo mais complexo da pesquisa, porque abrange identidades e fala do comportamento nas redes sociais e como os jovens se sentem dentro do mundo virtual", explica Marisa de Castro Villi, diretora executiva da Rede de Conhecimento Social. "Muito embora tenha um potencial de contribuição positiva, tem dados negativos."

Segundo a pesquisa, 66% dos entrevistados acreditam que a internet aumenta o bullying, 65% dizem que tem impacto na exposição da intimidade e 60% afirmam que agrava a sensação de isolamento, embora comunicação seja a principal atividade feita por eles no ambiente online, como utilizar aplicativos para conversa instantânea e redes sociais.

"As atividades dos jovens se tornam muito intensas nessa área, o que faz com que eles se isolem e se dediquem mais tempo virtualmente do que presencialmente, o que traz prejuízos nas relações sociais. Isso pode causar irritabilidade, insônia, alterações na alimentação e depressão. Outro problema é o cyberbullying. Por trás do computador, as pessoas agridem mais, porque acham que não vão ser detectadas", diz a psicóloga clínica Veruska Ghendov.

Ela afirma que os pais devem incentivar os filhos a reduzir o tempo online. "Eles precisam saber o motivo do uso e cada idade tem um limite de tempo. O ideal é que o tempo não seja ultrapassado. Nada substitui as atividades e a presença humanas. Se o jovem souber equilibrar, consegue fazer todas as coisas."

O conferente de mercadoria Gleison Neves, de 29 anos, diz que tem uma relação tranquila com a internet, mas já sofreu ataques virtuais ao postar fotos em redes sociais. "Sou homossexual e tem pessoas que discriminam, dizem que a gente vai para o inferno. Mas não me importo. Dobro o número de fotos e, se a pessoa não gosta da minha foto, que saia da minha rede social."

Ele diz que está sempre checando a internet e que curtidas em posts geram expectativa. "É normal postar uma foto e ficar ansioso por curtidas. Eu até fico. Gosto de postar fotos minhas na academia, em passeios, memes, vídeos engraçados. Hoje, não existe vida sem internet."

Apesar das avaliações críticas sobre o mundo online, o estudo mostrou que os jovens estão tendo um olhar mais positivo sobre a própria imagem a partir das interações virtuais.

"(A pesquisa mostrou que) 30% sentem que a relação consigo melhorou em relação a cabelo, corpo e sexualidade com os conteúdos da internet. Com a difusão de outros padrões de beleza, os jovens estão conseguindo se conectar com outras pessoas e movimentos com os quais se identificam", diz Marisa.

Segurança

O levantamento mostrou que 55% dos entrevistados já passaram mais tempo na internet do que pretendiam. "Os jovens estão conectados o tempo todo. Eles cresceram no ambiente da internet e sabem o quanto estão se expondo e gerando sentimentos tóxicos", avalia Americo Mattar, diretor-presidente da Fundação Vivo Telefônica.

Para a tranquilidade dos pais, embora se sintam mais expostos a situações negativas ao utilizar a internet, os jovens demonstram tomar cuidados no ambiente virtual.

O levantamento mostrou que 78% dos entrevistados não se sentem confortáveis em trocar informações pessoais com desconhecidos e 55% evitam fazer check-in nos lugares que costuma frequentar. Outros 54% não escolhem produtos ou usam serviços com base na avaliação de outras pessoas.

No caso da segurança na internet, o sexo feminino e os mais jovens, da faixa de 15 a 19 anos, demonstraram que são os mais desconfiados quando o assunto é compartilhar informações online.

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FIQUE ATENTO

1. Início. Identifique se seu filho está pronto para acessar a internet. A web oferece possibilidades e riscos. “É a maior rua do mundo. Se a criança não tem maturidade para andar sozinha na rua, também não tem para ficar sozinha na internet”, diz Rodrigo Nejm, psicólogo e diretor de educação da SaferNet.

2. Diálogo. Negocie com as crianças as regras de acesso, tempo e tipo de uso desde o primeiro clique.

3.Limite. Respeite a idade mínima de acesso definida pelas redes sociais. Para Facebook e Instagram, por exemplo, é de 13 anos. 

4. Presença. Participe da vida digital do seu filho. No caso de crianças, acesse a internet ao lado delas e peça para mostrarem o que fazem. É sempre importante orientar sobre comportamentos inadequados. Envolva a escola e outros pais na discussão.

5. Restrição. Para crianças mais novas, colocar filtros para conteúdos impróprios pode ser útil, mas não substituem o acompanhamento dos pais.

6.Reação. Nos casos de agressões online, aja e ampare seus filhos. “Bloqueie o agressor também e procure ajuda. Salve evidências, denuncie, faça um print”, diz Sara Bottino, psiquiatra e pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

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