Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Facções disputam tráfico em comunidades de Angra dos Reis

Pelo menos 11 suspeitos já foram mortos durante tiroteios entre as quadrilhas ou destas com a Polícia Militar; dois moradores foram feridos por balas perdidas

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2018 | 00h57

RIO - Uma disputa entre facções rivais pelo controle do tráfico em favelas de Angra dos Reis (Costa Verde fluminense) tem espalhado o medo entre moradores do município. Os confrontos entre criminosos fortemente armados começaram em 26 de janeiro e se estendem por 13 dias. Pelo menos 11 suspeitos  já foram mortos durante tiroteios entre as quadrilhas (dois) ou destas com a PM (nove). Na manhã desta quarta-feira, 7, dois moradores foram feridos por balas perdidas.

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Por volta das 8h, um homem de 37 anos estava em um ponto de ônibus na rodovia Rio-Santos, nas imediações do Parque Belém, quando foi baleado na virilha. Conduzido ao Hospital Geral da Japuíba, ele estava em observação na tarde desta quarta-feira.

Também pela manhã, no bairro Sapinhatuba I, outro homem, que estava dentro de casa, foi atingido na perna por uma bala perdida. Em razões dos intensos tiroteios na região, o socorro demorou duas horas. Ele sobreviveu e, levado pela Polícia Militar a um hospital, estava internado até a tarde desta quarta-feira.

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A disputa entre traficantes começou quando um grupo de pelo menos 50 integrantes do Comando Vermelho (CV) chegou ao bairro Sapinhatuba I para tomar o controle do tráfico, até então dominado pelo Terceiro Comando Puro (TCP). Os confrontos se estenderam por mais de cinco horas, mesmo com a intervenção da Polícia Militar. Após o tiroteio, moradores do bairro protestarem contra a falta de segurança e interditaram a rodovia Rio-Santos mantendo um ônibus atravessado na pista. A disputa entre as duas facções se estendeu ao Parque Belém, de onde o CV conseguiu expulsar os rivais ligados ao TCP.

A polícia tem informações de que o CV decidiu expandir sua área de domínio porque traficantes dessa facção teriam chegado a Angra vindos de Antares, bairro da zona oeste do Rio de Janeiro. Dali, teriam sido expulsos por milicianos. Obrigados a sair do Parque Belém, os traficantes do TCP estão confrontando os rivais em outras áreas da cidade, daí a sequência de tiroteios. Eles já foram registrados em pelo menos sete bairros: Parque Belém, Frade, Areal, Morro da Glória, Camorim Grande e Sapinhatuba I e II.

Desde o dia 29 de janeiro, policiais militares do 33º Batalhão (Angra dos Reis) e de batalhões especiais têm realizado operações constantes, principalmente no Parque Belém e nas comunidades Sapinhatuba I e II, para combater os criminosos. Em 31 de janeiro, durante uma ação no bairro Camorim Grande, o Batalhão de Choque baleou três suspeitos. Um sobreviveu e dois morreram no Hospital Geral da Japuíba.

Devido à onda de violência, a prefeitura de Angra chegou a adiar o início do ano letivo nas escolas situadas em três bairros (Campo Belo, Parque Belém e Camorim Grande), considerados os mais vulneráveis aos confrontos.

Nas redes sociais, moradores narram que, armados com fuzis e até granadas, criminosos têm imposto toque de recolher e ameaçado pessoas que nada têm a ver com a disputa pelos pontos de tráfico.

"Não temos segurança para sair de casa em momento nenhum, estamos acuados. Os traficantes passam aos gritos avisando que vão matar inocentes até conseguir tomar todo o território. Tem morador que esconde os filhos debaixo da cama", narrou pelo Facebook um homem que mora em Sapinhatuba I.

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