Reprodução/Redes Sociais
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Grupo fortemente armado assalta banco em Cametá, no Pará

Vídeos de moradores publicados nas redes sociais mostram um grupo de reféns sendo transportado pelos suspeitos e o som de disparos; uma pessoa morreu

Roberta Paraense, especial para o Estadão

02 de dezembro de 2020 | 01h34
Atualizado 03 de dezembro de 2020 | 01h18

BELÉM - Um grupo armado com fuzis assaltou uma agência bancária no município de Cametá, a 235 km de Belém, no nordeste do Pará, na madrugada desta quarta-feira, 2. O quartel da Polícia Militar também foi alvo dos bandidos, na tentativa de impedir a ação policial. Uma pessoa morreu, segundo o prefeito, Waldoli Valente (PSC). O episódio acontece um dia após um assalto similar em Criciúma, em Santa Catarina.

Após a noite de terror, a população de Cametá amanheceu nesta terça-feira, 2, apavorada. A comerciante Alvanete Crizanto, de 39 anos, diz nunca ter visto algo semelhante na cidade. "Parecia que era um filme de faroeste. Muitos tiros, gritos, barulho de vidro estourando", relatou a moradora do Centro. "Em 10 anos que estou morando aqui, nunca tinha presenciado nada parecido, ao contrário, a cidade fica mais movimentada na época do carnaval, e sim, tem roubos frequentes, mas nada chega próximo ao que aconteceu nesta madrugada", completou Alvanete.

Conforme testemunhas, a ação foi iniciada por volta das 23h30, quando os criminosos bloquearam a saída dos Policiais Militares do quartel da cidade. Algumas pessoas que foram feitas reféns acompanhavam uma partida de futebol pela TV no momento em que foram surpreendidas. "A cidade estava silenciosa, aí do nada, muitos tiros, e as mensagens começaram a circular nas redes sociais, falando do assalto. Em casa, as crianças ouviram assustadas e até agora estão em pânico. As explosões foram muito fortes", contou o autônomo Gerson Lopes, de 29 anos.

O comandante da PM na cidade, coronel Maurício, acompanha as investigações e afirma que não há, até o momento, a identificação concreta dos criminosos. "Ao que tudo indica, o bando não era da cidade, mas vinha estudando o comportamento das autoridades locais, o funcionamento das agências bancárias. Tudo foi feito de forma organizada, planejaram cada passo", explicou. "Eles chegaram a fazer os reféns de escudo humano, bloquearam o acesso de saída da guarnição, e explodiram o Banco do Brasil. Uma pessoa foi atingida e não resistiu, evoluindo a óbito no local", relatou. A identidade da vítima não foi divulgada.

O crime que chocou pela audácia, ainda conforme o comandante da PM, é classificado pela modalidade vapor: a mais violenta de todas, quando se refere a assaltos a bancos. A ação que também é chamada de novo cangaço, é protagonizada quando os bandidos dominam os policiais de determinada localidade, fazem refém, e, no ato, provocam pânico na população.

Nas redes sociais, vídeos mostram os momentos de terror. Disparos foram registrados em várias regiões do município.

Vídeos compartilhados por moradores também mostram um grupo de reféns sendo conduzidos pelos suspeitos e o som de disparos na Praça Central da cidade.

Diligências

Durante a madrugada desta quarta-feira, 2, o município recebeu efetivos policiais de outras cidades e regiões. Segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup), foram empregadas duas aeronaves e uma embarcação. Em nota oficial, o Governo do Pará afirma que mais de 20 criminosos fortemente armados, com armas de grosso calibre, como fuzis, estavam envolvidos na ação que durou mais de uma hora e teve como alvo o Banco do Brasil.

A Segup informou, também, que segundo informações preliminares, uma pessoa que foi feita refém foi alvejada pelos criminosos e morreu. Outro morador foi atingido na perna por arma de fogo, está internado no hospital da cidade, mas sem gravidade. Os suspeitos deixaram a cidade por volta de 1h30.

Durante as buscas, uma caminhonete que teria sido utilizada foi encontrada pelas equipes policiais no KM 15, na estrada que faz conexão com o município vizinho de Tucuruí. Dentro do veículo foram encontrados diversos explosivos. As buscas seguem em andamento na região. A cúpula da segurança pública seguirá para o município para acompanhar o caso.  

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Pará (Segup) afirmou que equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), das Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), do Batalhão de Ações de Cães (Bac), da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE) e duas aeronaves do Grupamento Aéreo de Segurança Pública do Pará (Graesp) se deslocaram para dar apoio no município. 

No Twitter, o governador do Pará, Helder Barbalho, disse já estar em contato com a cúpula da segurança pública do Estado. “Não mediremos esforços para que o quanto antes seja retomada a tranquilidade e os criminosos sejam presos. Minha total solidariedade ao povo cametaense”, escreveu.

Imagens mostram os danos causados por explosivos na agência do Banco do Brasil, mas ainda não é possível confirmar se os bandidos conseguiram efetuar o roubo. A reportagem entrou em contato com o Banco do Brasil e o Sindicato dos Bancários do Pará e aguarda um posicionamento.

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