Ellis Rua/AP
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Ministro da Segurança aponta dificuldades para conclusão de caso Marielle

Em entrevista à Rádio Eldorado, Jungmann disse que investigações continuam indicando participação de milícias e que equipes buscam provas contra os suspeitos

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

19 Junho 2018 | 12h45

SÃO PAULO - O ministro extraordinário da Segurança Pública Raul Jungmann disse em entrevista na Rádio Eldorado nesta terça-feira, 19, que as investigações sobre da vereadora Marielle Franco (PSOL), morta a tiros no dia 14 de março na região central do Rio, ainda não foram concluídas por causa da complexidade do caso. Segundo o ministro, as equipes que atuam na investigação sabem quem são os envolvidos, mas trabalham no levantamento de provas para poder apresentar as denúncias. O motorista que acompanhava Marielle, Anderson Gomes, também foi morto.

"Em primeiro lugar, o fato de que ele (o crime) foi planejado, foi feito por profissionais. Também a dificuldade de se encontrar a razão que teria levado à morte da Marielle, porque ela não apresentaria ameaça pessoal, o que torna a complexidade adicional, que é fazer a construção dessas possível ameaças, que sempre tendem a acontecer nesse tipo de caso. Isso complica, como também a percepção de que o círculo dos envolvidos é maior do que se pensava anteriormente, apontando para a participação, no caso dos mandantes, de autoridades do Rio de Janeiro. Então, todo esse quadro torna mais difícil e mais necessária a construção de provas robustas para poder indicar e apresentar a denúncia contra executores e mandantes".

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O ministro reconheceu que, comparado a outros casos de repercussão no Rio de Janeiro, como a morte da juíza Patrícia Acioli, esse crime está demorando mais para ter seus responsáveis apresentados. " A média foi superada, mas isso não quer dizer que não vai se chegar ao executor e ao mandante, quer dizer da complexidade desse caso, que tem várias características diferenciais dos casos anteriores."

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Segundo Jungmann, as investigações continuam apontando a participação de milícias e que a fase atual da investigação tem como foco a construção de provas contra os suspeitos de participação no crime.

"Eu diria que as equipes que lá investigam sabem até quem seriam os prováveis mandantes e assassinos, eles têm essa percepção. O que eles hoje estariam focados é na construção das provas para apresentar as denúncias."

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