JOSE LUCENA/FUTURAPRESS
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Obras de prédios que desabaram no Rio estavam interditadas desde novembro de 2018

Prefeitura diz que região é Área de Proteção Ambiental e que construções eram irregulares; hospitais da região foram acionados para receber feridos

Paula Felix, Jéssica Otoboni, Ana Paula Niederauer e Roberta Jansen, O Estado de S. Paulo

12 de abril de 2019 | 09h45
Atualizado 12 de abril de 2019 | 15h59

SÃO PAULO - A prefeitura do Rio de Janeiro informou que os prédios que desabaram na comunidade da Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro, na manhã desta sexta-feira, 12, eram construções irregulares e estavam com as obras interditadas desde novembro do ano passado.

Corpo de Bombeiros confirmou a morte de três pessoas, o resgate de dez feridos e trabalha nos escombros com uma lista de 17 nomes de pessoas que estariam desaparecidas. Eles isolaram a área da tragédia porque outros prédios do entorno estariam em risco iminente de desmoronamento.

Os apartamentos nos prédios irregulares construídos e comercializados por milicianos são vendidos a preços abaixo do mercado. Unidades de dois quartos, com garagem, estavam sendo vendidos por valores que iam de R$ 40 mil  a R$ 100 mil.

Moradores contam que sabiam que os imóveis eram irregulares, mas que comprá-los era a forma encontrada para conseguir ter um lugar para morar.

"A região é uma Área de Proteção Ambiental (APA) e os prédios ali construídos não respeitam a legislação em vigor. Por se tratar de área dominada por milícia, os técnicos da fiscalização municipal necessitam de apoio da Polícia Militar para realizar operações no local. Foi o que aconteceu em novembro de 2018, quando várias construções irregulares foram interditadas e embargadas pela prefeitura", informou a gestão municipal, em nota.

Maria Elizabeth da Nóbrega Tavares, do Departamento de Estruturas e Fundações da Faculdade de Engenharia da UERJ, alerta para o risco de desabamento dos prédios vizinhos aos dois que desmoronaram na manhã desta sexta-feira.

As construções irregulares e o forte temporal que atingiu a cidade no início da semana tornam o risco de outros desabamentos iminente. "O solo está totalmente encharcado pela quantidade de água que caiu das encostas; isso vai levando material que está embaixo do prédio, descalçando a fundação", explicou a especialista. "Levando em conta que é um projeto que não está dentro dos padrões, eu diria que o risco é iminente."

Maria Elizabeth explicou que, na construção de um prédio, o tipo do solo é avaliado inicialmente para que se determine, por exemplo, qual é a fundação mais adequada. A construção está também em área de encosta, o que representa um outro tipo de problema.

A prefeitura disse que, na comunidade, "as construções não obedecem aos parâmetros de edificações estabelecidos, como afastamento frontal, gabarito, ocupação, número de unidades e de vagas."

A Defesa Civil Municipal e o Corpo de Bombeiros estão atuando no socorro às vítimas e hospitais da região foram acionados para receber feridos. 

Os bombeiros chegaram ao local às 7h20 e iniciaram os trabalhos de resgate. Ainda não se sabe se os edifícios de quatro andares estavam em construção ou se havia moradores.

A corporação informou que foi acionada por volta das 6h40 para uma ocorrência de desabamento na Estrada de Jacarepaguá, no bairro de Itanhangá

A Prefeitura do Rio de Janeiro, que espera divulgar nas próximas horas um balanço inicial sobre vítimas e danos materiais, comunicou que cerca de 60 edifícios da região foram construídos de maneira "irregular" em zonas de "alto risco de desmoronamento".

A comunidade da Muzema foi uma das áreas atingidas pelo temporal que caiu no Rio no início desta semana. Na segunda-feira, 8, a chuva que caiu na cidade provocou a morte de dez pessoas, inundou casas, derrubou árvores e destruiu casas e carros em vários bairros. / Com EFE

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