Vidal Cavalcante/Estadão
Vidal Cavalcante/Estadão

Roubo de ouro em Guarulhos entra no rol de crimes milionários; veja lista

Os métodos variam na história recente do País e mostram bandos cavando túneis, como no famoso ataque ao Banco Central de Fortaleza, ou explodindo paredes e cofres, como os que miram transportadoras de valores

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2019 | 07h00

SÃO PAULO - O roubo de cerca de 720 quilos de ouro dentro do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, entrou no rol de crimes que o Brasil passou a ver com uma certa frequência: os assaltos milionários. São ações de quadrilhas armadas que, com grande planejamento, conseguem executar roubos antes inimagináveis. Os métodos variam na história recente do País e mostram bandos cavando túneis, como no famoso ataque ao Banco Central de Fortaleza, ou explodindo paredes e cofres, como os que miram transportadoras de valores. Dessa vez, no entanto, nenhum tiro foi disparado.

O Estado reuniu as histórias de alguns desses crimes, assim como as cifras estimadas de prejuízo causado em cada caso. Vale lembrar que os valores não foram corrigidos pela inflação - os R$ 164 milhões do Banco Central de Fortaleza hoje valeriam R$ 360 milhões, por exemplo. Há ainda os crimes em que só há a estimativa do lucro dos criminosos, como o caso do roubo de joias do banco da Avenida Paulista - a Justiça chega a dizer que, em valores de 2011, a marca podia chegar a R$ 500 milhões. 

No caso mais recente, a polícia ainda procura os envolvidos e promete dar uma resposta à altura do crime, com a prisão dos criminosos e recuperação do ouro. É aguardar para ver. A lista a seguir não mostra todos os roubos milionários praticados no País, compilação que somaria dezenas de registros, mas aponta alguns dos mais significativos. Entre eles, há um assalto que, se não aconteceu no Brasil, certamente contou com expertise de uma facção nacional. Veja: 

Banco Central de Fortaleza - R$ 164,7 milhões

Foram necessárias pouco mais de seis horas, na madrugada de 5 para 6 de agosto de 2005, para os assaltantes conseguirem apanhar uma fortuna em notas de R$ 50 - como eram usadas, não podiam ser rastreadas pelo número de série. A quantia empilhada equivalia a 330 metros de altura. Para chegar até o cofre do Banco Central de Fortaleza, a quadrilha cavou um túnel de 75,4 metros de comprimento. Fugiram levando R$ 164,7 milhões. A maior parte do bando foi identificada e presa, mas pouco mais de R$ 30 milhões foram recuperados. O Estado produziu, em 2015, uma reportagem especial sobre o crime e as suas repercussões.

Roubo à Protege - R$ 20 milhões

Homens encapuzados e armados com fuzis e metralhadoras explodiram um portão dos fundos e levaram malotes de dinheiro da transportadora de valores Protege, na madrugada na madrugada de 11 de setembro de 2007, na Lapa, zona oeste de São Paulo. A polícia concluiu que 62 pessoas participaram do planejamento e da execução do roubo estimado na época em R$ 20 milhões. Funcionários da empresa e integrantes do PCC eram suspeitos de fazer parte do grupo, que também teria participado do roubo ao Banco Central em Fortaleza, em 2005. O modus operandi se repete até hoje. Em 2016, crimes similares com cifras milionárias foram cometidos em Campinas, Santos e Ribeirão Preto

Jóias da Avenida Paulista - R$ 250 milhões*

Um organograma bem definido e um planejamento de pouco mais de um ano levaram uma quadrilha altamente especializada a arrombar os 171 cofres da agência do Itaú na Avenida Paulista e a levar joias, relógios, dinheiro e outros bens de 142 deles. O roubo foi um dos maiores do País e aconteceu na madrugada de 27 para 28 de agosto de 2011. Segundo a polícia, 13 criminosos foram identificados - três deles foram presos ainda naquele ano. Em 2013, foi preso João Paulo dos Santos, considerado o mentor do assalto. Na sentença que o condenou, a Justiça estimou o valor do roubo em R$ 250 milhões, podendo ter chegado a R$ 500 milhões, total que transforma o caso no mais robusto da história do País. 

*Estimativa

O maior assalto da história do Paraguai - R$ 120 milhões

As polícias do Brasil e do Paraguai acreditam que o Primeiro Comando da Capital (PCC) organizou e executou o assalto milionário à empresa de transporte de valores Prosegur, em Ciudad del Este, no Paraguai, na madrugada de 24 de abril de 2017. Pelo menos 30 homens usando armamento de guerra - como metralhadora ponto 50, fuzis e explosivos - roubaram US$ 40 milhões (R$ 120 milhões). Um policial e três bandidos morreram e quatro pessoas ficaram feridas na ação e na perseguição. O assalto é apontado como o maior da história do Paraguai. 

Assalto no Maranhão, líder no Uruguai - R$ 100 milhões

A agência do Banco do Brasil na cidade de Bacabal, a 250 quilômetros de São Luís, foi assaltada em novembro de 2018 por criminosos, que fugiram com cerca de R$ 100 milhões. A polícia do Estado acredita que o crime tenha sido  arquitetado por José Francisco Lumes, o Zé de Lessa, que é considerado foragido e estaria vivendo no Uruguai. No mês seguinte, uma operação prendeu dez e matou três suspeitos. Parte do dinheiro foi recuperado.

Ouro em Guarulhos - R$ 123 milhões

Uma quadrilha roubou nesta quinta, 25 de julho de 2019, uma carga milionária de ouro de dentro do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, onde ocorreria o embarque do material em uma aeronave. Os ladrões usaram veículos clonados com identificação da Polícia Federal para entrar no local e realizar o roubo, cujo prejuízo foi estimado em R$ 123 milhões. Ninguém foi preso. 

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