Mauro Pimentel / AFP
Mauro Pimentel / AFP

Com apenas oito páginas, programa de Crivella em 2016 não citava chuvas

Atual prefeito foi o único dentre os três mais votados que deixou o tema de lado no documento

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2019 | 16h45

O programa de governo do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), foi o único dentre os três mais votados na eleição carioca de 2016 que não citou a palavra "chuvas". Com apenas oito páginas, o documento chegou a ser criticado nos debates por ser pequeno e genérico. 

O programa do segundo colocado no pleito, o hoje deputado federal Marcelo Freixo (PSOL), tinha 67 páginas. O do terceiro, o também deputado Pedro Paulo (hoje no DEM, antes no MDB), contava com 110. Ambos citavam as chuvas que historicamente assolam a cidade e provocam danos e mortes - até a tarde desta terça-feira, 9, sete pessoas morreram por causa dos temporais de ontem

No de Freixo, por exemplo, um parágrafo determinava que, caso o candidato fosse eleito, estabeleceria metas para ampliar as taxas de permeabilidade do solo, "com intuito de evitar as enchentes e inundações em período de cheia e de chuvas fortes."

Já o de Pedro Paulo elencava seis medidas para conter a situação caótica em que o Rio costuma ficar após tempestades, a fim de "dotar a cidade de estruturas de drenagem que reduzam o impacto dos eventos chuvosos ao patrimônio, à segurança individual do cidadão, à circulação de bens e serviços e à mobilidade urbana."

Crivella venceu as eleições no segundo turno contra Freixo por 59,3% a 40,6% dos votos válidos. 

Ao comentar os danos materiais e as mortes decorrentes da chuva desta segunda-feira, Crivella atribuiu o problema ao histórico de negligência na cidade e até à falta de investimentos do governo federal. 

O mais recente episódio de tragédias em consequência de chuva só agrava a situação do prefeito, que enfrenta um processo de impeachment na Câmara Municipal. Atualmente, três vereadores elaboram um parecer (favorável ou contrário ao processo) que será votado pelos parlamentares. 

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