Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

‘Governo e comando da polícia não negociam com criminosos’, rebate Pezão

Ministro da Justiça disse que nem governador do Rio nem secretário de Segurança controlam a Polícia Militar

Constança Rezende e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2017 | 15h19
Atualizado 31 Outubro 2017 | 18h26

BRASÍLIA - RIO - O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), rebateu por nota nesta terça-feira, 31, as declarações do ministro da Justiça, Torquato Jardim, que disse que o governador e o secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, "não controlam a Polícia Militar”. Torquato também afirmou que “os comandantes de batalhões da PM "são sócios do crime organizado no Rio”, em entrevista a jornalistas.

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“O governador Luiz Fernando Pezão afirma que o governo do Estado e o comando da polícia não negociam com criminosos,  ressaltando que 'o comandante da PM, coronel Wolney Dias, é um profissional íntegro'. O governador destaca ainda que o ministro da Justiça, Torquato Jardim, nunca o procurou para  tratar do assunto abordado pelo ministro.

 

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Pezão frisa também que as escolhas de comandos de batalhões e delegacias fluminenses são decisões técnicas e que jamais recebeu pedidos de deputados para tais cargos”, informou texto divulgado pela assessoria de imprensa do governador. Torquato também disse a solução para o problema do Rio só virá em 2019, quando haverá  outro presidente e outro governador.

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“Nós já tivemos conversas, ora eu sozinho, ora com o Raul Jungmann (ministro da Defesa) e o Sérgio Etchengoyen (ministro do Gabinete de Segurança Institucional ), conversas duríssimas com o secretário de Segurança do Estado e com o governador. Não tem comando - disse o ministro.

Secretário

Em nota divulgada nesta terça, o secretário de Segurança do Rio também rebateu as declarações de Torquato. 

“O secretário de Estado de Segurança, Roberto Sá, revela sua indignação com as falas atribuídas ao ministro da Justiça com acusações ao Comando Geral da PM, aos comandos dos Batalhões. Em relação ao assassinato Coronel Luiz Gustavo Teixeira, profissional respeitado e muito querido, que estava fardado e não à paisana no momento do crime, as primeiras linhas de investigação da Divisão de Homicídios apontam para a tentativa de roubo”, informou a secretaria no texto.

Torquato também disse desconfiar que o assassinato do comandante do 3º Batalhão de Polícia (Meier), o coronel Luiz Gustavo Teixeira, tenha sido premeditado. 

O texto afirma ainda que “que (Roberto Sá) vinha recebendo, pessoalmente, do Ministério da Justiça manifestações de solidariedade e apoio que não coadunam com o conteúdo divulgado”.

“Roberto Sá refuta totalmente as interferências políticas, tendo colocado como premissa básica para assumir o cargo a total autonomia para a escolha dos comandados. Sá reafirma que o Comandante Geral possui autonomia para as escolhas de comandantes de batalhões, feitas por critérios técnicos”, diz a nota.

“A despeito de todas as crises pelas quais o Estado passa, incluindo a financeira, que afeta diretamente a remuneração dos agentes públicos, bem como qualquer investimento ou custeio, a Secretaria de Segurança, por meio do incessante trabalho das Polícias Civil e Militar, vem mantendo a produtividade em ações, bem como conseguindo reverter a tendência de aumento de alguns indicadores de criminalidade, reduzindo importantes crimes”, justificou o órgão.

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