Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Militares distribuem doces no Dia de Cosme e Damião na Rocinha

Presentes foram dados a crianças como uma forma de tentar se aproximar da população; aulas foram parcialmente retomadas

Constança Rezende e Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2017 | 23h24

RIO - Militares das Forças Armadas distribuíram nesta quarta-feira, 27, Dia de Cosme e Damião, doces para crianças na Rocinha, favela da zona sul do Rio cercada desde sexta por causa de disputas entre traficantes iniciadas no domingo. O Comando Militar do Leste não deu detalhes sobre a iniciativa, uma forma de tentar se aproximar da população, em geral cética ou refratária ao contato com soldados e policiais. 

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Tradicionalmente, a data é comemorada em subúrbios e bairros pobres do Rio. 

A ação dos militares com as crianças foi também um gesto simbólico. Nos últimos dias, houve, contra militares e policiais, queixas de buscas irregulares em residências na Rocinha e até acusações de arrombamentos sem mandado e furtos. Nas redes sociais, foram publicadas fotos de portas arrombadas, que seriam de casas na favela. Autoridades dizem desconhecer os incidentes e garantem investigações caso recebam queixas formais.

Nesta quarta-feira, as imagens dos soldados sorridentes, com as mãos cheias de sacos de guloseimas e cercados por crianças, contrastaram com fotos feitas na véspera. Nessas, os militares aparecem armados, usando capuzes com assustadores desenhos de caveira. O Estado-Maior Conjunto das operações informou que investiga o uso por militares de balaclavas (toucas ninja) em desacordo com as regras

Segundo o órgão, usar o acessório “nas cores preta e azul-ferrete” é permitido pelos regulamentos das Forças Armadas.

“O uso de peças em desacordo com tal regra está sendo apurado”, informaram os militares por nota. Eles também disseram que “o uso da peça com qualquer tipo de inscrições ou desenhos não é permitido”. O comando não informou se os militares que utilizaram o acessório “em desacordo” com os regulamentos de uniformes serão punidos ou alvo de inquérito policial-militar.

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Escolas

Nesta quarta-feira, as aulas foram parcialmente retomadas na Rocinha. Quatro escolas municipais, duas creches e um Espaço de Desenvolvimento Infantil abriram pela primeira vez nesta semana. O movimento, porém, foi menor do que o habitual. Duas escolas com 817 estudantes continuam fechadas. A Secretaria Municipal de Educação não divulgou os nomes das unidades.

Em todo o município, há 1,6 mil alunos sem aulas por causa da proximidade com bairros marcados pela violência. Uma das queixas na Rocinha é de que a presença de blindados impede a passagem de veículos de transporte escolar por vias estreitas.

Apesar do prosseguimento das operações policiais e da revista rigorosa de veículos que entram e saem da favela, o ambiente, aos poucos, se normaliza. Até a noite desta quarta-feira, não foram registrados tiroteios. Moradores, porém, queixam-se de que ainda não conseguiram retomar completamente a rotina. 

PM vasculha comunidades em busca de traficante 

Em busca do traficante Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, policiais militares vasculharam nesta quarta-feira favelas distantes 40 quilômetros uma da outra. PMs do Batalhão de Operações Especiais (Bope) percorreram a localidade da Fazendinha, no Complexo do Alemão, na zona norte. Já agentes do Batalhão de Operações com Cães o procuraram no Morro do Vidigal, perto da Rocinha, na zona sul. Em ambas, não tiveram sucesso. 

Os PMs seguem diferentes informações vindas dos setores de inteligência, além de denúncias. Elas apontavam que Rogério 157 teria sido visto nesses locais. Rompido com a facção Amigo dos Amigos, 157 teria sido acolhido pelo Comando Vermelho. Ele chefia o tráfico na Rocinha, cujo controle disputa com o antigo “dono do morro”, Antonio Bonfim Lopes, o Nem, atualmente no presídio federal de Rondônia.

Esta quarta-feira foi o sexto dia de operações na comunidade. As operações contra traficantes na Rocinha prosseguiram, mas não houve incidentes violentos pelo menos até o início da noite. Um homem foi preso com tabletes de pasta-base de cocaína.

Mandado

Nesta quarta-feira, a Justiça decretou mais uma vez a prisão de 157, por homicídio qualificado. A acusação é a de ter matado um PM - ele também responde a processos por tráfico de drogas e posse de armas de uso restrito. Pelo mesmo caso, o juiz expediu mandados contra Ivan Martins (Ivanzinho), Alan Francisco da Silva (Bilan), Michael Souza (Rabicó) e Horácio Nascimento (Orelhinha), comparsas dele, todos por homicídio qualificado. Segundo o Ministério Público, no Vidigal os réus atiraram contra um grupo de 11 PMs e um deles morreu.

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