WILTON JUNIOR/ ESTADÃO
WILTON JUNIOR/ ESTADÃO

Em disputa acirrada, Viradouro conquista carnaval do Rio pela segunda vez

Escola de Niterói levou à Sapucaí enredo sobre as "Ganhadeiras de Itapuã" e caiu no gosto do público. Apuração das notas nesta quarta-feira mostrou disputa acirrada até o último quesito

Caio Sartori e Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 18h12
Atualizado 26 de fevereiro de 2020 | 21h27

RIO - No fim de uma apuração emocionante, decidida apenas no último dos nove quesitos, a Unidos do Viradouro sagrou-se campeã do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro em 2020. A escola de Niterói, município da região metropolitana da capital fluminense, apresentou um enredo sobre as Ganhadeiras de Itapuã, dos carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon. Foi o segundo título da escola, que já foi campeã em 1997, com o enredo “Trevas! Luz! A Explosão do Universo”, do carnavalesco Joãosinho Trinta. Em 2019, a escola havia sido vice-campeã.

Confira a classificação das escolas do carnaval do Rio 2020

  1. Viradouro - 269,6 (Campeã)
  2. Grande Rio - 269,6
  3. Mocidade - 269,4
  4. Beija-Flor - 269,4
  5. Salgueiro - 269
  6. Mangueira - 268,9
  7. Portela - 268,8
  8. Vila Isabel - 268,6
  9. Unidos da Tijuca - 267,6
  10. São Clemente - 267
  11. Paraíso de Tuiuti - 266,2
  12. Estácio de Sá - 264,7 (Rebaixada)
  13. União da Ilha - 264,2 (Rebaixada)

"No final, cada escola foi punida onde deveria, todas as escolas perderam pontos. E felizmente conseguimos levar o título para Niterói", afirmou o presidente da Viradouro, Marcelo Calil Petrus Filho, após a apuração. Em seu enredo, a Viradouro discorreu sobre um grupo de mulheres escravizadas  que, na Salvador do século XIX,  lavavam roupas e vendiam quitutes. Com o dinheiro, compravam a alforria de seus companheiros ou de outras escravas. 

De refrão chiclete, o samba era entoado à capela em dois trechos e conquistou a plateia. As alegorias e fantasias eram muito luxuosas e caprichadas. A comissão de frente da escola recebeu elogios ao levar para a avenida um aquário. Dentro dele estava a atleta da seleção brasileira de nado artístico Anna Giulia Veloso, de 20 anos, fantasiada de sereia.  

Veja fotos do desfile campeão da Viradouro

O enredo foi desenvolvido pelos carnavalescos Marcus Ferreira, de 35 anos, e Tarcísio Zanon, de 32. Eles são casados. Foi a estreia de Ferreira no grupo de elite - ele passa a integrar o restrito grupo de carnavalescos que conquistaram o título em seu ano de estreia, como Leandro Vieira (em 2016 na Mangueira) e Fernando Pamplona (em 1960, no Salgueiro). Ferreira dedicou o título à sua mãe, Luciene, que morreu há quatro meses.

“Ela sempre me disse: ‘No dia em que eu descansar, vou te ver no Grupo Especial’. E agora, lá de cima, ela está me vendo campeão”, disse.

Zanon trabalhou por seis anos na Estácio, com a qual foi campeã da segunda divisão em 2019. Neste ano ele dividiria a função com Rosa Magalhães, mas acabou saindo para a Viradouro, que havia perdido o carnavalesco Paulo Barros, de volta à Unidos da Tijuca. Assim, Zanon saiu da escola que acabou rebaixada para liderar a equipe que se sagrou campeã.

Comandante da bateria da escola campeã, que ganhou nota máxima de todos os jurados, Mestre Ciça chegou a passar mal após a conquista. Passada a euforia inicial, ele foi perguntado sobre as mudanças na Viradouro, que passou sete dos últimos dez anos na segunda divisão. “Aquilo acabou, ficou para trás. Depois do meu retorno, no ano passado, sendo vice-campeão, agora só tenho a agradecer a Deus”, disse.

Apuração seguiu apertada até o fim; Grande Rio foi a vice-campeã

A Grande Rio ficou em segundo lugar, com o mesmo número de pontos (269,6), mas derrotada ao perder pontos nos quesitos Evolução e Harmonia, que serviam de desempate. A escola de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, liderou a disputa até o fim do sétimo quesito (mestre-sala e porta-bandeira), dois décimos à frente da Beija-Flor (209,9 contra 209,7) e três a mais que a Viradouro (209,6).

Os integrantes da Grande Rio, porém, sabiam que perderiam décimos no penúltimo quesito, evolução, devido a um problema que a agremiação teve no primeiro carro alegórico. A alegoria era formada por dois veículos interligados, que tiveram de ser separados para fazer a curva e passar da Avenida Presidente Vargas à rua Marques de Sapucaí. A demora em fazer essa operação abriu extenso espaço entre os desfilantes.

O erro fez com que a escola somasse apenas 29,7 dos 30 pontos possíveis em Evolução. A Beija-Flor também perdeu um décimo, somando 29,9, enquanto a Viradouro conseguiu a pontuação máxima. Com isso, a Grande Rio caiu para o terceiro lugar, e a Viradouro assumiu a liderança, tendo a Beija-Flor em segundo lugar, todas com os mesmos 239,6 pontos.

No último quesito, Viradouro e Grande Rio conseguiram os 30 pontos possíveis e chegaram a 269,6, enquanto a Beija-Flor perdeu mais dois décimos e foi superada pela Mocidade Independente. As duas escolas empataram com 269,4 pontos, mas o critério de desempate favoreceu a escola da zona oeste do Rio.

O Salgueiro ficou em quinto lugar, com 269 pontos, e a Mangueira em sexto, com 268,9. Essas seis agremiações mais bem colocadas vão voltar à Sapucaí no desfile das campeãs, a partir das 21h30 do próximo sábado, 29. Foram rebaixadas para a Série A, a segunda divisão das escolas de samba do Rio, a União da Ilha, com 264,2 pontos, e a Estácio, com 264,7.

Foi alçada de volta ao Grupo Especial a Imperatriz Leopoldinense, que havia sido rebaixada em 2019 e neste ano venceu o Grupo A.

Expectativa era de disputa acirrada

PortelaViradouroUnidos da TijucaVila Isabel e Salgueiro foram algumas das escolas que mais empolgaram o Sambódromo no desfile deste ano. A Portela desfilou quando já amanhecia, mas empolgou o público que ainda lotava as arquibancadas. À luz dos primeiros raios do sol, as cores das fantasias e os efeitos que os carros espelhados se destacaram, assim como as belas baianas de azul.  A escola contou como era o Rio de Janeiro antes da chegada dos descobridores portugueses e fez crítica à destruição da natureza, 

Apesar de chamar atenção com uma apresentação impactante por suas críticas sociais, a Mangueira fez uma apresentação morna e não empolgou a plateia como acontece tradicionalmente. Tanto o público como os integrantes da escola tiveram dificuldade de cantar o samba-enredo “A verdade vos fará livre”, que trouxe Jesus de várias formas em carros alegóricos impressionantes. A Mangueira teve também a má sorte de desfilar logo após a Viradouro, cujo samba tinha levantado o público na arquibancada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.