Márcio Mercante/Agência O Dia
Márcio Mercante/Agência O Dia

PF quer replicar modelo de cooperação com EUA para países da fronteira

Diagnóstico revelado pelo 'Estado' mostra que a maior parte das pistolas e revólveres usados por facções vem do Paraguai

Fabio Serapião, O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2018 | 21h23

BRASÍLIA - A Polícia Federal pretende expandir o modelo de cooperação internacional de combate ao tráfico de armas que mantém com os Estados Unidos para países da fronteira brasileira, como Paraguai, Bolívia, Argentina e Uruguai

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Atualmente, aArmas do crime vêm de Paraguai e EUA e rota é pela Tríplice Fronteira, diz PF PF é mais efetiva no rastreamento de armas que vêm dos Estados Unidos do que nos casos que envolvem armamento proveniente de países da região. Isso porque os americanos, por meio da ATF - agência de controle de armas, tabaco e álcool -, atuam de forma conjunta com os brasileiros e iniciam investigações em seu território com base de apreensões feitas no Brasil.

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"Mantemos reuniões permanentes com o Paraguai, para fazer um diagnóstico e tentar coibir entrada de armas curtas. Com os Estados Unidos, por meio da ATF, organismo americano que cuida da questão de armas, estamos em permanente contato para trocar de informações e treinamentos para nossos policiais", afirmou o delegado Eugênio Coutinho Ricas, diretor de Combate ao Crime Organizado da PF.

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Rastreamento

A afirmação de Ricas se dá após o Estado revelar na terça-feira, 9, um diagnóstico sobre o tráfico de armas no Brasil produzido pela PF. O documento mostra que a maior parte das pistolas e revólveres que vai parar nas mãos de facções criminosas, principalmente do Sudeste, vem do Paraguai. Os rifles e fuzis, por sua vez, têm origem nos Estados Unidos. Bolívia, Argentina e Uruguai vêm em seguida na lista dos principais fornecedores.

O mapeamento foi possível após o rastreamento inédito de 9.879 armas apreendidas pela PF. O tráfico de armamento ocorre para abastecer o crime organizado e sai sobretudo da Tríplice Fronteira - 99% das unidades entram no País por fronteira terrestre. 

"A importância do rastreamento em uma investigação não se resume só ao conhecimento da origem e cadeia dominial da arma, já que, com as informações que vão sendo obtidas, é possível descobrir as pessoas e organizações criminosas voltadas ao tráfico ilícito e seu modus operandi, além das rotas, meios e formas utilizados para a prática do delito, permitindo assim a execução de um trabalho policial mais aprofundado", aponta o relatório produzido pela Divisão de Repressão a Crimes contra o Patrimônio e ao Tráfico de Armas da PF.

 

Como exemplo da eficiência do método de rastreamento e de cooperação com os Estados Unidos, o diagnóstico da PF cita algumas investigações que resultaram na prisão de envolvidos com tráfico de armas naquele país.

Em uma delas, realizada em 2010, após a prisão de três homens que estavam cruzando a fronteira do Brasil com a Bolívia com sete fuzis americanos escondidos em um carro, foi feito um pedido de cooperação para os americanos. Um mês após a solicitação de ajuda, a ATF abriu uma investigação e prendeu diversas pessoas que estavam envolvidas no tráfico destas e outras armas para a Bolívia.

A parceria com os americanos também resultou no rastreamento de 22 fuzis similares ao AK-47 que eram enviados diretamente de Miami por meio de contêineres com mobiliário de cidadãos brasileiros que se mudavam dos EUA para o Brasil. 

Após o pedido de rastreamento das armas para os Estados Unidos, a ATF iniciou uma investigação que levou à prisão do grupo criminoso que comprava as armas nas lojas daquele país, enquanto no Brasil os responsáveis por encomendar e receber o armamento foram presos pela Operação Bed Bugs, da PF.

"Como se pode ver, além das informações obtidas para fins de operação e inteligência (rotas utilizadas, modus operandi, pessoas e comerciantes envolvidos etc), o rastreamento de armas de fogo resulta na interrupção imediata do fluxo de armas de fogo traficadas ilegalmente para o País, já que permite o desmantelamento do grupo criminoso responsável pelo envio dos carregamentos com a prisão, processo e condenação de seus integrantes também no país de origem", concluiu o diagnóstico da PF.

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