Renan Olaz/CMRJ
Renan Olaz/CMRJ

Caso Marielle Franco: os principais desdobramentos um ano depois

A vereadora do PSOL foi executada junto com Anderson Gomes no dia 14 de março de 2018

Redação, Estado de S.Paulo

14 de março de 2019 | 16h27

Marielle Franco, vereadora do PSOL, foi morta há exatamente um ano. Naquele dia 14 de março, a ativista de direitos humanos e o motorista do carro em que ela estava, Anderson Gomes, foram executados no bairro da Lapa, centro do Rio. Junto das duas vítimas estava também a jornalista Fernanda Chaves, assessora da vereadora, que sobreviveu ao ataque e diz considerar uma "vergonha" a falta de resolução do caso. 

Acusados presos

Foi apenas nesta terça-feira, 12, dois dias antes do assassinato completar um ano, que ocorreu o principal desdobramento da investigação: uma operação conjunta do Ministério Público do Rio de Janeiro e da Polícia Civil prendeu o sargento da Polícia Militar reformado Ronnie Lessa e o ex-policial militar Elcio Vieira de Queiroz. Saiba quem são os presos acusados do crime.

Arma utilizada

Ainda segundo o MP, Lessa é o autor dos disparos de arma de fogo que mataram Marielle e Anderson. Uma reconstituição do assassinato provou em maio do ano passado que a arma utilizada no crime foi uma submetralhadora HK MP5. O outro acusado, Elcio, é apontado como o motorista do Chevrolet Cobalt, veículo usado no crime. 

Apreensão de 117 fuzis 

Em meio à investigação sobre os suspeitos, a Polícia Civil apreendeu, no dia da prisão dos dois acusados, o maior arsenal de fuzis já encontrado no Estado. Foram localizadas 117 armas modelo M-16 na casa de Alexandre Motta Souza, amigo do PM reformado Ronnie Lessa.

Mandantes e motivação

A defesa dos acusados diz não pensar em fazer delação premiada. A investigação sobre os mandantes e a motivação continua em andamento. Em entrevista ao Estado, a representante da ONU Birgit Gerstenberg ressalta a importância de que a apuração tenha continuidade para que sejam encontrados os responsáveis intelectuais do atentado e se descubra os reais motivos do crime.

Reinvidicações

Quando o assassinato de Marielle completou seis meses e, sem que houvesse nenhuma resposta, a viúva da vereadora, a arquiteta Mônica Benício, denunciou a demora na solução do crime na 39ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU. O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) confirmou a importância da investigação ser mantida sobre sigilo, mas pediu, no mês seguinte ao acontecimento, que as autoridades mantivessem o diálogo com os familiares da vereadora "para que eles possam ter mais tranquilidade de que o crime será desvendado".

Outros desdobramentos

Os dois acusados não foram as únicas prisões relacionadas ao caso, que já teve diversas linhas de apuração. Suspeitos de ligação com os assassinatos chegaram a ser presos, mas por acusações de outros crimes. Em junho do ano passado, o ministro extraordinário da Segurança Pública Raul Jungmann comentou as dificuldades para a resolução do crime. Na entrevista, um dos pontos citados por ele é justamente a complexidade de encontrar a razão do homocídio. "O círculo dos envolvidos é maior do que se pensava anteriormente", confessou. 

 

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